
As séries televisivas sobre vikings são, por estes dias, das mais vistas e destacam-se como os maiores sucessos do género, sendo o ponto de partida ideal para explorar a cultura nórdica e as suas conquista.
Exímios guerreiros e navegadores, os piratas normandos, ou vikings, também andaram por cá. Em abril de 1026, aportaram na costa de Ovar e, numa investida, raptaram dois habitantes: Meitili e sua filha Guncina.
Pai e filha viriam a salvar-se porque Octício pagou um bom resgate: um manto de pele de lobo, uma espada, uma camisa, três lenços, uma vaca e três moios de sal, o que tudo importava 70 módios.
Em reconhecimento e compensação por este acto, Meitili doou a Octício uma parte das suas propriedades em Cabanões e Muradões, que havia herdado dos seus antepassados.
Assim ficou assente, para memória futura, em 28 de Abril de 1026, numa carta na qual se depreende que pai e filha viviam no território que poderá corresponder hoje ao lugar do Sobral, junto ao rio Ovar.

“Este documento fez 1000 anos em abril e é um dos mais velhos pergaminhos do velho mosteiro de Pedroso”, comenta o historiador pardilhoense, Marco Pereira que o descobriu na Torre do Tombo. Actualmente mais conhecido por Igreja Matriz de Pedroso (atual freguesia de Pedroso e Seixezelo, do concelho de Gaia), o Mosteiro pertence à Ordem de S. Bento, fundado em 867.
À vista deste antecedente, fácil será de constatar que, há precisamente mil anos, a região de Ovar já era habitada, tendo completado, em abril último o seu primeiro milénio.
Marco Pereira fez-se historiador na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, na altura em que estava a frequentar o curso de Direito naquela universidade. Tem vivido nessa dupla função de advogado e historiador, mas se pudesse dedicava-se em exclusivo à investigação histórica. Marco Pereira já tem dez livros publicados e mais uns quantos na calha.





