EmpresasSlider

Toyota celebra 50 anos de produção em Ovar

A marca Toyota está a comemorar uma data importante, não apenas em Portugal, como também na Europa: o fabricante automóvel japonês celebra 50 anos sobre o início da produção no Velho Continente. Mais precisamente, com a abertura da fábrica em Ovar, Portugal.

A celebração deste meio século de atividade produtiva na Europa traduz-se, assim, na abertura daquela que foi a primeira fábrica da Toyota em solo europeu e, conforma a própria marca faz questão de salientar em comunicado, pedra angular da história de sucesso que a marca nipónica veio a construir no Velho Continente.

No entanto e igualmente a contribuir para este sucesso, surge a portuguesa Salvador Caetano, responsável, em conjunto com a Toyota, pela edificação e laboração da unidade de produção em Ovar.

O famoso Toyota Corolla junto às instalações da fábrica de Ovar
O famoso Toyota Corolla junto às instalações da fábrica de Ovar

Entretanto e ao longo de 50 anos, foram já mais de 10 mil milhões de euros o investimento feito pela Toyota Motor Corporation nas, hoje em dia, nove fábricas que o fabricante automóvel nipónico possui na Europa e das quais saem, anualmente, cerca de 800 mil automóveis por ano.

Defendendo a filosofia “Construir onde se vende”, a Toyota possui, atualmente, fábricas de motores e automóveis no Reino Unido, ainda no início dos anos 90, a que se seguiu a expansão para França, Turquia, República Checa, Polónia e Rússia. Unidades que contribuíram para um volume acumulado, em termos de produção, de mais de 13 milhões de veículos, fruto também dos esforços de cerca de 22.000 trabalhadores directos.

Através da sua presença, a Toyota fornece, ainda, negócio, no valor de mais de 6 mil milhões de euros a uma rede de cerca de 400 fornecedores europeus, afirma a marca japonesa em comunicado.

O cartaz que assinalou o lançamento da produção na fábrica de Ovar
O cartaz que assinalou o lançamento da produção na fábrica de Ovar

De resto, o fabricante também recorda que, atualmente, todos os modelos vendidos na Europa – Aygo, Yaris, Corolla, C-HR e RAV4 – são produzidos no continente europeu, isto, depois de já ter sido, também, um dos primeiros construtores automóveis a produzir veículos eletrificados no Velho Continente. Estratégia iniciada em 2010, com o Auris Hybrid, modelo que começou por sair das linhas de montagem da Toyota Motor Manufacturing no Reino Unido.

Atualmente, cerca de 59% do volume total europeu de todos os veículos vendidos pela Toyota e Lexus na Europa são híbridos. Com a maioria a ser produzida na Europa, por europeus, defende o construtor.

“Estamos orgulhosos”

“Estamos orgulhosos de ter passado este marco dos 50 anos de produção na Europa”, comenta o Vice-Presidente Executivo da Toyota Motor Europe, Marvin Cooke, defendendo que, “o facto de mais de dois em cada três veículos que vendemos na Europa serem construídos aqui, representa uma contribuição significativa em termos de emprego direto”.

Testemunho

“A oportunidade de ir para a engenharia impôs-me uma fase de integração que foi desafiante.”Rui Mané, Grupo leader de Engenharia na Toyota Ovar

Entrei para a Toyota Caetano Portugal (TCAP) Ovar em outubro 2003, para a pré-montagem dos pneus. Pouco depois, passei para linha dos chassis e depois, em 2006, para Tempos e Métodos (Engenharia). A pré-Montagem dos pneus era um posto duro. Chegava a casa e deitava-me, sem energia para mais nada. Dessa altura, lembro-me de um colega em particular, o Igor, era ucraniano e uma das melhores Pessoas que conheci. Era engraçado e gostava muito de aprender, apesar das dificuldades com a língua. Ajudava-o muito na integração e no trabalho diário. A oportunidade de ir para a engenharia impôs-me uma fase de integração que foi desafiante. Apesar de, muitas vezes, duvidar de mim mesmo, consegui superar o desafio de responsabilidade elevada.

Não me vejo como um chefe, mas como um líder (com muito para aprender). Não gosto de usar a palavra “chefe” para descrever a minha posição. A transição de colega para “chefe” foi complicada, mas procurei sempre que as Pessoas mantivessem a relação que tinham comigo. Apesar de haver atritos nessa mesma transição, foram sempre resolvidos.

O Ser Caetano já está intrínseco na minha maneira de ser. Preocupo-me com as Pessoas e o respeito prevalece sempre. Apesar de nunca ter lidado diretamente com ele, o Sr. Salvador Caetano, parecia-me ser uma Pessoa normal, simples e direta. Muito humano, era imponente e reconhecia o esforço dos outros.

Destaco no meu percurso a transição do posto da linha de chassis para uma posição de chefia na engenharia. As viagens ao Japão, os Face to Face de Ergonomia e o curso intensivo de Engineering Development na TME France. Orgulha-me quando representantes da TMC ou TME visitam a fábrica – oportunidade de mostrar que com pouco se faz muito.

Considero o Dia Aberto e o Dia do Colaborador uma experiência rica que se deve repetir. Destaco o Evento 5 Continents Drive, um evento de grandes proporções acolhido pela TCAP Ovar, enquanto primeira fábrica da Toyota na Europa. É um facto do qual me orgulho muito.

Não basta vestir a camisola, há que suá-la. Sinto-me realizado profissionalmente e atribuo grande parte disso ao Grupo Salvador Caetano e à Toyota Caetano Portugal.”

Jorge Ribeiro, Grupo leader do HUB na Toyota Ovar

Entrei para a Toyota Caetano Portugal (TCAP) Ovar em maio de 1980, para o Planeamento e Controlo de Produção da Fábrica 1 e 2. Gostei da forma como fui integrado. Uma das tarefas diárias era preencher o Quadro Planning (equivalente ao Koma Board utilizado hoje). Eram usados Legos e marcadores. O Quadro Planning suscitava muita curiosidade dos Colaboradores japoneses, que visitavam a fábrica. Recordo a morosidade que era a gravação das chapas de identificação dos veículos, que era manual e a emissão de requisições em triplicado. Eram feitas numa máquina manual que trabalhava a álcool e à manivela, que contrastam com a facilidade de fazer estes trabalhos nos dias de hoje.

Subir na carreira nunca me assustou, tive sempre a ajuda dos colegas e a minha natureza curiosa ajudou-me muito em termos de progressão e oportunidades. Perguntava muito, procurava aprender e considero que, já nessa altura, tinha mentalidade Kaizen – apesar de ainda ser um conceito pouco conhecido nas décadas de 80 e 90. Odeio monotonia, adoro diversidade e gosto imenso de aprender. Sempre fui muito vocativo nas minhas opiniões que iam ao encontro dos ideais da empresa. Não tenho medo de falhar, tenho orgulho em ser trabalhador da TCAP e foi na TCAP que fiz toda a minha carreira profissional. “Não basta vestir a camisola, há que suá-la”. Sinto-me realizado profissionalmente e atribuo grande parte disso ao Grupo Salvador Caetano (GSC) e à TCAP. Sempre dei o meu melhor. Desejo que a TCAP dure mais 50 anos. “Toyota veio para ficar”.

O Sr. Salvador Caetano era um visionário, muito perspicaz e com uma visão acima da média. Para as gerações futuras, recomendo que apostem na decência, respeito e educação, independentemente do grau académico. Saber aceitar, saber ouvir, saber pensar, saber tolerar.

Outro conselho que deixo é que as futuras gerações aprofundem sempre os seus conhecimentos e sejam críticos de maneira construtiva. Jovens devem lutar para que os outros vejam valor no seu trabalho e conhecimento. A Toyota é uma marca com prestígio, adjetivo pouco utilizado, e o GSC e a TCAP devem envergar esse título com orgulho.

in https://salvadorcaetano75anos.pt/historias

Artigos relacionados

Deixe uma resposta