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Saúde

Proteína cerebral pode abrir caminho a novas terapias para o autismo

equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) identificou um novo papel desempenhado pela proteína STEP (Striatal-Enriched Protein Tyrosine Phosphatase)

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) identificou um
novo papel desempenhado pela proteína STEP (Striatal-Enriched Protein
Tyrosine Phosphatase) no desenvolvimento e funcionamento das ligações entre
neurónios, uma descoberta que poderá contribuir para futuras estratégias
terapêuticas para a síndrome do X Frágil, a forma hereditária mais comum de
deficiência intelectual e uma das principais causas genéticas do autismo.

Até agora, sabia-se que a STEP atuava sobretudo na regulação de mecanismos
pós-sinápticos, mas o seu papel nas fases iniciais da formação das sinapses –
estruturas responsáveis pela comunicação entre neurónios – permanecia pouco
compreendido. O novo estudo, publicado na Proceedings of the National
Academy of Sciences of the United States of America — PNAS — uma das
revistas científicas multidisciplinares de maior prestígio internacional, revela que
esta proteína funciona como uma espécie de “travão” ao desenvolvimento das
terminações nervosas, limitando a maturação das sinapses e a eficiência da
transmissão dos sinais cerebrais.

Recorrendo a modelos experimentais in vitro e in vivo, os investigadores Joel
Pires e Ramiro Almeida, do Instituto de Biomedicina e do Departamento de
Ciências Médicas da UA, em parceria com investigadores das universidades de
Coimbra e da Beira Interior, demonstraram que a redução ou inibição da
atividade da STEP favorece a organização das proteínas envolvidas no
armazenamento e libertação de neurotransmissores, promovendo a formação de
um maior número de sinapses funcionais.

Os resultados mostram ainda que a ausência da proteína aumenta a
excitabilidade dos neurónios e a sincronização das redes neuronais, indicadores
de uma comunicação mais eficaz entre as células nervosas. Segundo os
autores, este efeito resulta da manutenção de mecanismos moleculares que
favorecem a montagem das estruturas responsáveis pela libertação dos
neurotransmissores.

Futuro com terapias mais dirigidas
Particularmente relevante é a observação de que a inibição da STEP foi capaz
de corrigir defeitos na formação das sinapses em neurónios com mutações
associadas à síndrome do X Frágil. A descoberta sugere que alterações na
atividade desta proteína podem estar envolvidas nas perturbações sinápticas
características da doença.

Os investigadores defendem, por isso, que a STEP desempenha um papel
central na regulação da comunicação neuronal e que a sua inibição poderá
constituir uma abordagem promissora para restaurar o funcionamento das
sinapses em pessoas com síndrome do X Frágil.

Para Ramiro Almeida, coordenador do estudo, os resultados agora obtidos
poderão ter implicações importantes a médio e longo prazo. “Ao identificar a
STEP como um regulador da formação de sinapses, este trabalho abre novas
possibilidades para compreender melhor doenças em que a comunicação entre
neurónios está alterada, como a síndrome do X Frágil e, potencialmente, outras
perturbações do neurodesenvolvimento”, sublinha. “A longo prazo, este
conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias
terapêuticas destinadas a restaurar ou melhorar a conectividade neuronal”,
acrescenta.

Segundo o investigador, o estudo ajuda a perceber melhor como o cérebro
constrói as suas redes de comunicação e de que forma esse processo pode
falhar em contexto de doença. “Esse conhecimento é essencial para, no futuro,
desenhar terapias mais dirigidas para corrigir disfunções sinápticas”, conclui.
O estudo aprofunda o conhecimento sobre os mecanismos que orientam a
formação das redes neuronais e abre novas perspetivas para o desenvolvimento
de terapias dirigidas a doenças do neurodesenvolvimento.

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