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Opinião

Vivências em meio escolar enriquecidas com a multiculturalidade cigana – Por José Lopes

Vivências em meio escolar enriquecidas com a multiculturalidade cigana…
A partilha em ambiente escolar, na Escola EB 2º ciclo António Dias Simões (AEO), que
vivenciei profissionalmente, como assistente operacional (educação), durante três
décadas com crianças e jovens ciganas, oriundas em grande parte da comunidade
residente no bairro social da Marinha. Deu-me o privilégio de poder compreender e
observar mais de perto, a realidade social, cultural e inclusão deste povo em espaço
escolar, bem como, em ambiente familiar da etnia e na comunidade local.
Uma experiencia profissional, assumidamente enriquecida pelo exercício de cidadania,
que proporcionou, no caso concreto desta comunidade cigana, no âmbito da frequência
escolar na rede escolar abrangida pelo Agrupamento de Escolas de Ovar (AEO), um
contato de maior proximidade com vários membros de famílias ciganas, que durante
mais de meio século se consolidou, ganhando raízes em Ovar, e afirmando-se como um
núcleo alargado com os casamentos de sucessivas gerações, em que se foram
estabelecendo laços familiares, entre várias gerações, como: Cacharrero, Soares, Braga,
Montoia, Coutinho ou Monteiro.

Uma tal vivência, fundamentalmente em meio escolar, foi também, uma oportunidade
para acompanhar a evolução social e formativa de alunos ciganos e sua integração, no
caso concreto desta comunidade escolar, que vem dando bons exemplos de partilha,
solidariedade, tolerância e empenho no respeito pela diferença e inclusão, desde logo
pelo profissionalismo de docentes e não docentes, nomeadamente assistentes
operacionais, assim como a natural e exemplar relação entre os alunos, resistindo e
fazendo diluírem-se as pressões de racismo e xenofobia que vai sendo instigado por
setores da sociedade, através do ódio e intolerância para com a diferença e a
multiculturalidade, que faz dos ciganos vitimas frágeis de ataques populistas. Sinais que
felizmente não encontram espaço no seio de uma comunidade escolar e educativa, que
valoriza a liberdade e a democracia. Mesmo na ausência de políticas coerentes com uma
efetiva resposta que tenha em consideração as naturais especificidades da etnia cigana.



Falta de respostas, neste caso do ministério da educação e da ineficaz transferência de
competências para as Autarquias, que resistem a reconhecer que a inclusão é muito mais
do que o próprio significado da palavra. Acabando por se desresponsabilizar, ao deixar
aos agrupamentos de escolas, estabelecimentos de ensino, seus profissionais e
comunidade em geral, a missão de encontrarem estratégias para gerirem a estável
frequência escolar e a assiduidade possível das crianças e jovens alunos ciganos, bem
como a ligação entre a escola e as famílias. Processo fundamental para envolvimento
dos encarregados de educação dos alunos ciganos, que professores, diretores de turma, e
órgão de gestão do Agrupamento ou coordenação de estabelecimento, para além da
componente pedagógica e tarefas burocráticas, ainda se veem sobrecarregados com
trabalho de âmbito social junto das famílias ciganas. Exigências extenuantes que
resultam em grande parte, por as entidades competentes persistirem em não
reconhecerem a necessidade de valorizar e contratar técnicos de mediação
sócioculturais, que façam, com meios técnicos adequados, a ponte entre a escola e estas
famílias, como várias outras exigirão mais disponibilidade de proximidade de equipas
multidisciplinares, que não podem ficar limitadas a leis muito floridas, que na prática,
tantas vezes não funcionam por serem esvaziadas do ponto de vista orçamental para
contratação dos seus vários técnicos enumerados na lei.

Em nome da igualdade de oportunidades na escola, objetivo fundamental da “missão”
de uma comunidade escolar. Não pode ser “chavão” para tantas vezes justificar a
ausências de estratégias de plena integração, que se continua a observar relativamente a
grande parte dos alunos da comunidade cigana. Tardam medidas que reconheçam
realidades específicas da diversidade humana, como, queira-se ou não, é a
particularidade do povo cigano e a sua capacidade de resistência e resiliência ao longo
de vários séculos. Porque, a exemplo das fragilidades económicas e sociais de várias
outras famílias, pode-se questionar: que igualdade de oportunidades têm as crianças e
jovens ciganas? Cuja relação com a escola, com muito raras exceções, ainda é encarada
como uma obrigatoriedade que se reflete na desvalorização da escola e na resistência à
assiduidade. E muito menos é vista por tais famílias, como um direito e motor essencial
de transformação social e igualdade, contribuindo para perspetivar e despertar futuros a
nível profissional, assim como oportunidade de formação e preparação para uma
intervenção na sociedade no pleno exercício de cidadania.

A partilha de dificuldades dos diferentes profissionais da educação no seio da escola
pública, no caso do AEO mereceu ao longo destas três últimas décadas, vários
momentos de debate, nomeadamente no Conselho Geral. Resultando quase sempre em
naturais diferenças e perspetivas para lidar com o conjunto de situações, particularmente
ao nível da indisciplina, da assiduidade, do abandono escolar precoce e do consequente
aproveitamento escolar. No entanto, mesmo reconhecendo-se a necessidade de medidas
condizente com as inegáveis características próprias do modo de estar e de viver cigano,
as dificuldades persistem, obrigando cada comunidade escolar a ser imaginativa, para
gerir os conflitos mais preocupante, e trabalhar aluno a aluno, valorizando e
estimulando as suas capacidades intelectuais, para aproveitarem ao nível pedagógico,
social, cultural e cívico a oportunidade proporcionada no seio de cada comunidade
escolar, durante o seu percurso escolar, que veio passando igualmente por cursos
profissionais do tipo CEF – Cursos de Educação e Formação.

Foi pois, um extraordinário privilégio poder conviver com a comunidade cigana, ainda
quando a Escola EB 2 e 3 ciclos António Dias Simões era autónoma, até á evolução da
rede escolar, que numa primeira fase integrou agrupamento verticais (Pré e 1.º Ciclo),
dando corpo a agrupamento horizontal (Pré escolar, 1º ciclo e 2.º e 3.º ciclos),
culminando posteriormente, após muita contestação também por cá, à constituição do
mega Agrupamento que resultou no AEO em que, a Escola EB 2.º ciclo António Dias
Simões acabou “engolida” pela Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro (Sede do
AEO). Uma longa caminhada na vivência profissional e cívica, que começou por
permitir o contato com jovens ciganos, numa fase inicial, só com um insignificante
número de rapazes matriculados da comunidade cigana Época em que o abandono
escolar, era não só uma preocupação inquietante junto da comunidade escolar em geral,
mas com particular incidência na comunidade cigana.

Sem significativos elementos sobre o histórico da frequência escolar de alunos ciganos
na comunidade escolar da freguesia de Ovar, uma vez que em Válega a realidade da
relação escolar com a sua comunidade cigana dava sinais de algumas experiencias
positivas para vencer as inerentes dificuldades e tradições da etnia. Aos primeiros
passos para a integração dos jovens alunos ciganos da Marinha na Escola EB António
Dias Simões, então com 2.º e 3.º ciclo. Lentamente começou-se a registar com
satisfação, a frequência das raparigas ciganas, que após o 1.º ciclo, foi necessário muito
trabalho e confianças entre as famílias e as diferentes entidades competentes e
vocacionadas para a vertente social, educacional, direitos das crianças e integração.
Trabalho decisivo, a estes ainda incipientes passos, para a matrícula e a frequência
escolar por parte das raparigas, que até vinham beneficiando de soluções alternativas à
presença física na Escola (como o projeto AGITANA). Trabalho persistente, que
permitiu ter-se chegado ao ano letivo com significativo número de alunas ciganas, assim
como jovens rapazes.

No caso das raparigas ciganas, o trabalho desenvolvido e ainda a desenvolver, para a
sua escolarização e combate ao abandono escolar precoce, enfrenta ainda
extraordinários desafios a que é preciso dar resposta, considerando os constrangimentos
das famílias, associados à transição para a adolescência. Desafios específicos devido
igualmente a barreiras culturais e de género, que incluem a tradição do casamento, uma
das tradições mais preservadas, mas também mais questionadas pela sociedade no caso
dos eventuais casamentos de menores de idade, razão principal de abandono escolar das
raparigas, que curiosamente mais demonstram gosto pela escola. Contradições que
exigem projetos educativos e medição sociocultural, recorrendo mesmo a bolsas de
estudo, que procurem combater a exclusão e assim promover a igualdade de
oportunidades.

É mesmo assim gratificante, assistir a processos de evolução escolar, como a cada vez
mais natural transição de jovens alunos ciganos (rapazes e raparigas), do 2.º para o 3.º
ciclo. Percurso da EB 2.º ciclo António Dias Simões para a Secundária, que durante
alguns anos letivos não teve sequencia, tal o repetido insucesso e abandono escolar, que
fazia com que, no caso destes alunos, se arrastassem no 2.º ciclo, depois de alguma
naturalidade na frequência do 1.º ciclo, resultando no prolongar e agudizar das
dificuldades para motivar alunos que se sentiam deslocados nas turmas. Dando origem a
posturas de resistência às aulas, e consequentemente fatores de indisciplina, que tantas
vezes encontravam nos assistentes operacionais o ombro amigo para desabafarem os
seus sentimentos, como o casamento, e os seus sonhos, que curiosamente passavam
muito pela música tradicional cigana que dominava as pesquizas nos seus telemóveis,
desvalorizando de certa forma as aprendizagens escolares ou as matérias curriculares
dos manuais escolares.

Muitos nomes de alunos ciganos, alguns de cariz bíblico, marcaram a comunidade
escolar, tanto pela irreverencia, como pela educação, pacatez, serenidade, e cada vez
mais, com exemplos de empenho escolar, comparativamente com a realidade de duas ou
três décadas atrás. Evolução certamente motivada por duro e persistente trabalho
pedagógico dos profissionais do ensino, com recurso a estímulos para acreditarem nas
suas capacidades, bem como através da valorização dos esforços demonstrados, e
resultado final do apoio escolar que não encontrarão eventualmente na generalidade das
suas família, tanto por meras questões de tradição da etnia, como pelas fragilidades nas
condições de vida e fundamentalmente habitacional, ainda que tenham vindo a serem
dadas algumas pontuais respostas a este nível, mantendo-se no entanto o essencial do
limiar de pobreza em muitas das famílias ciganas. Realidade social que acaba por recair,
sobretudo sobre as mulheres no que toca à formação escolar. Uma realidade
sociocultural, no caso concreto das raparigas ciganas, que, nesta vivência escolar, vêm
demonstrando alguma transformação sobre o papel ativo e interventivo da mulher, que
se reflete nas raparigas que estão a fazer o seu percurso escolar nestes tempos de algum
retrocesso civilizacional.

Nesta abordagem sobre a relação com a comunidade cigana em meio escolar, vêm à
memória inevitáveis momentos de gestão difícil de conflitos, que não foram suficientes
para apagar a riqueza multicultural que proporcionou e proporciona a esta comunidade
escolar, em que se baseia este trabalho. Ficaram também memórias, como a tarefa de
fotografar alguns alunos ciganos para o cartão de estudante. Ou muitos outros
momentos e atividades escolares em que foi possível envolver estes jovens alunos, a
exemplo do desporto escolar, em que raramente participam, mas segundo os registos
fotográficos aqui partilhados, houve pelo menos um ou outro ano letivo, em que os
professores da disciplina de educação física levaram alguns alunos ciganos (rapazes) ao
Corta Mato na fase de Escola. Uma participação que dificilmente se repetiu até aos dias
atuais, postura de resistência à prática desportiva que merecerá atenção e exigirá
estratégias de sensibilização e motivação dos jovens alunos ciganos (rapazes e
raparigas), para a importância a diferentes níveis da participação no desporto escolar e
nas várias modalidades também em clubes na comunidade local. Ainda que se registem
alguns bons exemplos, fundamentalmente no caso do futebol.

Sucessivas gerações de jovens, que têm orgulho na sua condição cigana, estão a
encontrar novas oportunidade socias e profissionais, após diferentes percursos escolares,
em que obtiveram competências pessoais que permitem diferentes condições para a sua
integração na sociedade, incluindo diferente postura na relação com a escola agora
como encarregados de educação, em que demonstram querer proporcionar aos seus
filhos melhores condições de vida e competências entre rapazes e raparigas. Isto, apesar
de todas as dificuldades que continuam a ter de ultrapassar, tal é a realidade da
ostracização a que estão sujeitos e da normalização das correntes racistas e xenófobas
que proliferam com reforço da extrema-direita e o ressurgimento do fascismo.
Passaram também pela Escola alunos adultos ciganos no âmbito de cursos de educação
para adultos, como os Cursos de Educação de Adultos (B1 e B2), tanto diurnos como
pós laboral. Oportunidades de integração e socialização entre diferentes experiencias
dos alunos a frequentarem tais cursos, que para alem da componente pedagógica e
formativa, criaram espaços de solidariedade e partilha sobre vivencias de diferentes
gerações, que culminavam num prático exercício de cidadania, com alunos a intervirem
no período do público na Assembleia Municipal de Ovar, e numa confraternização
desportiva que desafiou adultos ciganos a jogarem basquetebol, entre outras atividades e
desafios de integração e participação nesta comunidade escolar.

O envolvimento da comunidade cigana mais próxima do AEO, chegou a merecer
espaço para suas danças e ritmos musicais em festa de final de ano letivo, assim como
pontuais eventos com elementos desta comunidade, a exemplo da “Campanha Global
para a Educação” ou “Dia Internacional do Cigano”.

História apaixonante de resistência e resiliência cigana
Em finais de 2025, já com o ano letivo 2025/26 a decorrer, surgiram as notícias sobre a
História dos portugueses ciganos como matéria a incluir nas aprendizagens essenciais
dos manuais de HGP. E o Departamento da Educação Básica do Ministério da Educação
disponibilizou mesmo o livrinho, “Histórias do Povo Cigano”, com sugestões de
atividades para o Ensino Básico. Propondo-se assim, “melhorar a eficácia da resposta
educativa aos problemas surgidos da diversidade dos conteúdos escolares e assegurar
que todos os alunos aprendam mais e de um modo mais significativo (…) ”, para,
através de contos “adaptados a crianças, contribuindo para a construção de uma escola
de qualidade, mais humana, criativa e inteligente.” E certamente mais inclusiva.
Depois de muitos anos de exclusão histórica e invisibilidade das pessoas ciganas nos
manuais escolares em Portugal, do 5.º ao 12.º ano do ensino obrigatório. Caberá às
comunidades escolares e educativas nos vários órgãos de gestão, nomeadamente nos
conselhos gerais, exigirem coerência e concretização efetiva da integração da história
cigana nas aprendizagens essenciais. Que, no caso do projeto “História & Estórias
Ciganas”, a que a Associação de Professores de Português – APP, se associou desde a
primeira hora em 2025, urgem assumir corajosamente, iniciativas que não deixem nas
malhas burocráticas o desenvolvimento de tal temática na Escola Pública. Quando a
extrema-direita está a influenciar políticas do governo para não facilitar o caminho a
percorrer, uma vez que, entre vários outros obstáculos e décadas de lutas pelo
reconhecimento da diferença, se defrontará agora com as propostas do Governo, da
direita e extrema-direita, através de um vingativo ataque aos mais pobres, que, veem ser
apagadas da nova lei da Prestação Social Única, medidas para garantir a inclusão social.
Negando recursos fundamentais, que só criarão mais instabilidade nas escolas, ficando
manietadas para responderem a realidade sociais identificadas e devidamente
caraterizadas, através de projetos específicos.

Com uma História ou “sem história documentada”, como é referido no livro do
investigador Manuel Carlos Silva “Sina Social Cigana – Histórias, Comunidades,
Representações e Instituições” (Edições Colibri). Mesmo recorrendo a lendas, está
escrita com apaixonante luta e resiliência ao longo de séculos, deste povo nómada que
terá chegado à Europa Central por volta do século XIII. Sendo apontada como hipótese
mais verosímil a que, “teria sido em meados do século III, decorrente da conquista do
Norte da Índia, que se registaram as primeiras migrações de grupos deste povo. Deste
modo, até cerca do ano 850 depois de Cristo, os ciganos percorreram vários países e
regiões em direção à Europa. Aqui entrando provavelmente pela Grécia e caminhando
por terras do Império Bizantino”. Iniciando uma longa caminhada de séculos marcados
por fugas, perseguições e expulsões, em que, “vagueavam pelo mundo na tentativa de
ser bem recebidos em um ou outro lado qualquer”.

Na sua persistente cruzada de paz, para viverem com suas tradições e dotes profissionais
e artísticos, refere a obra de Angus Fraser “História do Povo Cigano” (Teorema), que,
“Em Portugal não se ouve falar de Ciganos até ao princípio do século XVI, altura em
que surgem as primeiras referências em textos literários – sendo o mais antigo
provavelmente uma breve alusão a uma Grega no Cancioneiro Geral de 1516”.
Referindo a considerada mais significativa, “Farsa das Ciganas, do maior dramaturgo
português, Gil Vicente, representada na presença de D. João III, em Évora, em 1521,
que retrata bastante bem os Ciganos e capta o som ciciado que era já característico do
Espanhol e do Português falado por eles”. Mas no mesmo reinado de D. João III, (1526,
1538 e 1557), foram tomadas “medidas repressivas”, no sentido de “banir os Ciganos e
a proibi-los de entrar no reino”, no entanto, “parecem não ter tido mais eficácia do que
medidas semelhantes noutros países”. Condicionante originada pela lei que
salvaguardava da expulsão os ciganos nascidos em Portugal, por isso, “eram mandados
para as colónias de África”.

Voltando à obra “Sina Social Cigana” de Manuel Carlos Silva e colaboradores/as, “A
situação dos ciganos em Portugal, desde 1521 até ao final da monarquia em 1910, foi
marcada por constantes tentativas de erradicação total ou parcial dos ciganos nómadas,
bem como de sedentarização, as quais se mostraram quase totalmente ineficazes, pois os
ciganos nunca foram regulados, “domesticados””. Acrescentando que, “Nos sucessivos
reinados foram promulgadas inúmeras leis que tentavam impedir a entrada e ordenavam
a expulsão dos ciganos em Portugal, tendo sido feitas ameaças de morte, penas de
prisão e perseguições ao povo cigano”.

A hostilidade para com o povo cigano, “assumiu, ao longo da história, múltiplos
aspetos, desde as tentativas de desaparecimento físico até à negação da sua cultura
específica e seu então predominante modo de vida nómada (…)”. O sedentarismo
imperou, mas felizmente o orgulho e o essencial das características tradições deste
povo, prevalecem ao fim de cerca de cinco séculos em Portugal e da tragédia criminosa
nazi que se propôs também exterminar os ciganos. Memórias que voltam a relembrar
pesadelos na humanidade perante o galopar de fascismos ameaçadores das liberdades e
da democracia, que desvalorizam os Direitos Humanos.
Este é um povo, que tantas vezes foi apontado como causador de todos os males, até
para amedrontar as crianças, ainda na sua vivência cigana nómada. Um povo que tive o
grato privilégio de melhor conhecer, conviver e partilhar dinâmicas em espaço escolar
ou junto desta comunidade cigana que aprendi a respeitar e admirar a sua História
apaixonante de resistência e resiliência, para vencer e ultrapassar obstáculos que se
voltam a colocar no caminho de ciganos e não ciganos, através da promoção do ódio,
que a Escola deverá ter papel determinante em formar e educar cidadão para a tolerância
e o respeito pela diferença, a multiculturalidade e uma verdadeira inclusão.
São memórias de múltiplas vivências em meio escolar que aqui se partilham.
José Lopes

(Nota) Este texto foi prometido à comunidade escolar a quando dos inesquecíveis momentos que me foram proporcionados na minha saída para a reforma em 1 de abril de 2026. Trata-se naturalmente do meu testemunho e da minha perspetiva sobre tal temática que já tinha merecido outros trabalhos partilhados por este meio. Foi pois, com inegável satisfação aqui tentar exprimir tal sentimento e opinião sobre uma vivência de três décadas na Escola EB 2.º ciclo António Dias Simões – AEO e poder acompanhar a indiscutível evolução desta comunidade cigana na relação com a escola e seus profissionais, independentemente das naturais dificuldade e obstáculos que se vão ultrapassando com tolerância de parte a parte. Experiencia pessoal, que para mim representou um sincero privilégio partilhado neste trabalho em PDF, o qual dedico a todas e todos os profissionais no ativo e já aposentados, que se dedicam e dedicaram empenhadamente na escola em que também trabalhei, através da sua coordenadora Profa. Marisa Couto.

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