“Porque Sim”: campanha destaca que controlar a pressão arterial pode fazer a diferença na prevenção do AVC
29 de Outubro, Dia Mundial do AVC

Há coisas na vida que não podemos controlar: o estado do tempo, ficar preso num elevador, se alguém comparece ou não a um encontro combinado. Mas há outros fatores sobre os quais podemos atuar, como os níveis da pressão arterial, e cujo controlo assume um papel importante na saúde cardiovascular, nomeadamente na redução do risco de AVC. Esta é a mensagem central da nova campanha promovida em conjunto pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e pela Servier Portugal, que pretende sensibilizar a população para a importância de controlar fatores de risco cardiovascular, como a hipertensão arterial e a dislipidemia. Porquê? Porque sim. Porque há fatores sobre os quais podemos atuar e pequenas decisões que podem fazer a diferença na nossa saúde.
O doente assume, assim, um papel central na gestão da sua saúde, em estreita colaboração com os profissionais de saúde. Esta abordagem reforça a importância de que, embora muitas coisas na nossa vida estejam fora do nosso controlo, a pressão arterial e o colesterol não devem estar.
“O doente é um parceiro fundamental neste processo. Sem a sua colaboração, não é possível alcançar um controlo adequado da doença”, alerta Fernando Martos Gonçalves, presidente da SPH. “É essencial sensibilizar as pessoas com hipertensão para o facto de esta poder evoluir sem sintomas, apesar de constituir uma condição potencialmente grave. A adesão ao tratamento e às medidas recomendadas é, por isso, determinante para prevenir complicações, como o AVC.”
Consciencialização que, para o médico, não pode ficar circunscrita à consulta. “Em Portugal, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e de incapacidade, pelo que é fundamental que as pessoas percebam que também lhes pode acontecer a elas, já que temos tendência a pensar que apenas acontece aos outros. É fundamental, de facto, que haja uma boa relação médico-doente e que outros profissionais de saúde, como os enfermeiros ou os farmacêuticos, sejam envolvidos na tarefa de aumentar a literacia em saúde. Porque um doente informado estará mais preparado para compreender a importância de cumprir o tratamento e as recomendações dos profissionais de saúde.”, acrescenta Fernando Martos Gonçalves.
A campanha terá presença nas redes sociais e será acompanhada pela disponibilização de materiais educativos dirigidos aos doentes, reforçando a importância da sensibilização e do acompanhamento dos fatores de risco cardiovascular.
Porque, como refere Heloísa Ribeiro, presidente eleita da SPH, “um doente informado é um doente capaz de tomar decisões conscientes e de gerir o seu estilo de vida, participando ativamente nas decisões que permitem melhorar o controlo dos seus fatores de risco cardiovascular, nomeadamente na escolha da terapêutica. A longo prazo, é fundamental, porque percebe o benefício de aderir às medidas que propostas”.
A dificuldade, admite a especialista, está sobretudo na manutenção dessas escolhas ao longo do tempo. ” No que diz respeito às medidas comportamentais, nomeadamente à adoção de uma alimentação saudável e à prática regular de exercício físico, estas exigem, sem dúvida, um esforço contínuo e um compromisso a longo prazo. Esta é a grande dificuldade: adotar estilos de vida saudáveis que se perpetuem e que se transmitam para as gerações vindouras. Por outro lado, do ponto de vista da medicação, como a hipertensão é uma doença silenciosa, o facto de não sentir o seu dano faz com que, muitas vezes, seja desvalorizada”, explica Heloísa Ribeiro.
A mensagem é simples: nem sempre aquilo que não sentimos deve ser ignorado. A hipertensão arterial e o colesterol elevado podem não dar sinais, mas o seu controlo é importante para proteger a saúde cardiovascular. Entre o que não controlamos e o que depende só de nós, a Servier Portugal e a SPH apostam em transformar o doente de espectador para protagonista, com informação, acompanhamento e uma relação de confiança com os profissionais de saúde. Porque, no fim, controlar o que está ao nosso alcance pode ser a diferença entre viver com saúde e sofrer um AVC evitável.

