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	<title>Rosendo Costa, autor em OvarNews</title>
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	<description>Actualidade Vareira</description>
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	<title>Rosendo Costa, autor em OvarNews</title>
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		<title>Quarentena e rota da seda &#8211; por Rosendo Costa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 16:53:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por onde começar? Talvez pelo início muitos diriam, mas qual início? O da pandemia em que regressei de fora e fiquei preso na China ano e meio, adoptando uma estratégia de espera e cerco, tendo passado sozinho férias de Verão e férias de Natal pela China, ou pela vacina com a esperança de abertura de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por onde começar? Talvez pelo início muitos diriam, mas qual início? O da pandemia em que regressei de fora e fiquei preso na China ano e meio, adoptando uma estratégia de espera e cerco, tendo passado sozinho férias de Verão e férias de Natal pela China, ou pela vacina com a esperança de abertura de fronteiras sem quarentena?</p>
<p>Talvez os meus últimos dias na China antes do regresso a Portugal, no Verão de 2021. Uma decisão difícil em que quase ia decidindo usando a razão e regressando a Pequim.</p>
<p>No fim de Julho fui de férias uns dias de férias para a ilha de Hainan, no sul da China, com dois amigos antes do meu regresso a Portugal a partir do voo directo Xi’an &#8211; Lisboa. Durante a viagem e no primeiro dia, tudo normal, mas pela China começaram a surgir casos espalhados pelo país. Começaram os lockdowns, as proibições de viagem para cidades de baixo risco, provenientes de zonas de médio ou alto risco, cancelamento de aviões e comboios para Pequim, o que me trouxe uma má sensação de <em>“déjà vu” </em>e o receio que fechassem as fronteiras aos estrangeiros de novo.</p>
<p>Lembro-me de estar ansioso com a viagem de regresso a Portugal, de me vir à cabeça que poderia não poder regressar de novo à China tão rapidamente e andei o dia todo a passear por Xi’an e a decidir até à última se voltava a Pequim ou não. Lá apanhei um táxi para o aeroporto, para o vazio terminal internacional e para um voo que ia a abarrotar. Tentei não pensar mais no assunto.</p>
<p>Cheguei paranóico, porque não sabia o que era “viver com covid”. Desde o início da pandemia com o controlo e gestão pandémica feitos pelo governo chinês que podia andar em qualquer lado sem receio que tivesse pessoas infectadas perto de mim. Borrifava tudo com desinfectante e não ousava tirar a máscara, mas quase dois anos depois, não reconheci chegar ao meu país e ver os rostos cobertos de máscaras, restrições de entrada e permanência em espaços de comércio, maiores distâncias entre pessoas ao estilo de distâncias de segurança de viaturas na faixa de rodagem, avisos de uso de máscara, desinfectante para uso “à <em>Lagard</em><em>è</em><em>re</em>”.</p>
<p>Apanhei um comboio para a minha terra, fiz uma surpresa à minha família, que não sabia que estava de volta e embarquei no que me pareceram as melhores férias de Verão de sempre, tanto que quis ficar mais umas semanas para estar com a família.</p>
<p>Umas semanas depois sou confrontado com o facto de não ter apenas que fazer 14 dias de quarentena à chegada a Xi’an mas 21 dias mais 7 de monotorização em Pequim. Eu sabia que teria que fazer quarentena, sabia que seriam 14 dias e estava psicologicamente preparado para isso, mas não para 21. Tentei informar-me junto do Comité de Bairro do condomínio onde resido e informaram-me que apenas teria que os avisar quando chegasse e fazer um PCR. A parte de Pequim ficou resolvida, não tenho que ficar fechado em casa quando regressar, mas a parte dos 21 dias não. Teria que arranjar uma solução, uma forma de <em>“</em><em>bend the law</em>”.</p>
<p>E de facto há! Para nossa sorte! A regra é a de que não se pode entrar em Pequim nos primeiros 21 dias após a entrada na China, embora tenha que observar as regras de quarentena da província na qual se entra na China. Como agora se exige que se faça voo directo para a China desde o país de origem &#8211; se o houver &#8211; e não se possa contornar isso com escalas, teria que gramar com a quarentena em Xi’an, mas se introduzisse como destino final outro local menos penoso não teria que fazer esses 7 dias adicionais após os 14. O meu receio seria que implicassem com o meu visto que refere “Pequim” e me obrigassem a ficar 21 dias enclausurado. Logo se veria quando chegasse.</p>
<p>A ansiedade começa com os examess, submissão de documentos e testes para obtenção do código verde de embarque emitido pela Embaixada. 48 horas antes do voo é preciso fazer um PCR e um exame serológico, obter o resultado e submeter o mesmo numa mini-aplicação e aguardar a emissão. O compasso de espera é stressante com frequentes acessos compulsivos à aplicação para ver se foi emitido o código ou se foi rejeitado por algum motivo. Após a emissão tudo bem, a primeira etapa e segunda etapa da Rota da Seda estão completas.</p>
<p>A terceira é o voo de regresso. Aqui não há nada de novo, tirando o facto de ter que mostrar o resultado dos exames médicos mais o código verde de embarque no check-in e usar uma máscara FFP2 durante o voo que se prontificaram a oferecer. O voo em si não tem nada de mais, apenas o facto de servirem uma refeição de snacks dentro duma caixinha, dos hospedeiros de bordo estarem vestidos com fatos Hazmat e da parte traseira do avião estar “reservada” para o<em> staff </em>do avião descansar.</p>
<p>A chegada sim é diferente de todas. Não desembarcamos livremente mas por filas e seguindo as instruções do <em>staff</em> da imigração. Saindo do avião entramos imediatamente numa zona especialmente preparada do aeroporto, onde preenchemos formulários, onde indicamos se estamos vacinados e qual a vacina e onde nos fazem logo um PCR. Após isto, preenchemos um formulário de entrada na China e dirigimo-nos à Imigração para nos verificarem e carimbarem o passaporte.</p>
<p>Depois disto, deslocamo-nos para o que seria antes uma sala de zona de embarque no rés-do-chão do aeroporto e aguardamos pelos autocarros que nos levarão aos hotéis. Enquanto isso, as malas são colocadas na parte de fora da pista para os autocarros e desinfectadas. Meia-hora de espera e temos ordem para recolhermos as malas e embarcarmos nos autocarros.</p>
<p>Na chegada ao hotel somos borrifados com desinfectante, preenchemos formulários para indicar o destino seguinte à quarentena, pagamos e deslocamo-nos para os quartos dos quais não poderemos sair nos próximos 14 dias.</p>
<p>Confesso ter-me sentido um bocado claustrofóbico com o facto do meu quarto ser pequeno e pouco espaço para “caminhar” em comparação com os quartos que tinha visto de amigos que já tinham feito a quarentena. No entanto, exausto como estava, aterrei na cama e adormeci.</p>
<p>Nesse dia, Domingo, apenas fui buscar o jantar que está do lado de fora da porta do quarto, comi e adormeci de novo.</p>
<p>O dia seguinte sim é uma emoção, é uma curiosidade de como vai ser a quarentena, de como será o pequeno-almoço, dezenas de mensagens de partilha com amigos, colegas e familiares, em Portugal e na China, trabalho, Netflix, sestas de<em> jetlag</em> e arrumos na “nova casa”.</p>
<p>Os dois primeiros dias iguais, mas começa a preocupação de estar parado, da quantidade de comida que se ingere por estar “aborrecido” e o receio da engorda. Fiz exercício no hall com o portátil em cima duma mala na porta do wc e habituei-me a correr 8 a 10 kms da porta do quarto à parede, durante uma hora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Do <em>staff </em>do hotel não tenho nenhuma razão de queixa, nem da comida, nem das condições. Talvez não tenha gosto do facto de não mudar os lençóis durante duas semanas, ter que lavar e secar as toalhas e roupas à mão, secando com o secador de cabelo e o facto de o jantar ser servido às 17h30, embora forneçam sempre grandes quantidades e um <em>late-night snack.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cria-se e tem que se criar uma rotina diária, como fazer a cama, duche, ir buscar o pequeno-almoço da parte de fora, fazer café &#8211; levei uma máquina e pacotes de café em pó -, trabalhar, falar com amigos e colegas por mensagem e áudios, medição de temperatura, exercício, descanso, Netflix, vídeos de comédia, almoço, vídeochamadas, trabalho, nova medição de temperatura, jantar, estudar, Netflix, snacks, cama, mas não há o “vou dar uma volta” quando se está aborrecido. O meu “vou dar uma volta” era olhar pela janela seguido de tomar um duche quente para relaxar e tomava uma média de cinco a seis duches diários porque descobri que era uma forma terapêutica contra o aborrecimento.</p>
<p>Também mudava de roupa várias vezes, porque me cansava de estar com a mesma roupa todo o dia&#8230; No fundo, penso que a mente cria formas de se entreter, formas de combater a monotonia e o isolamento social. Esse vem, mas não logo&#8230;Vem de mansinho ao fim duns dias quando se corre para a porta para ver alguém por breves segundos para nos fazer o PCR ou medir a temperatura ou ficar a olhar pela janela para ver estranhos e cuscar as suas conversas. Tudo, uma especié de instinto, que nos guia ao contacto social que não temos naquelas duas semanas. Também dei por mim a participar mais frequentemente nas vídeochamadas com a equipa em Portugal para ver caras de pessoas&#8230; Não escondo, sente-se o isolamento social, mas aprendi a vê-lo naquelas duas semanas como uma prova de resistência mental.</p>
<p>Não há muito que possa acrescentar sobre a experiência porque todos os dias eram praticamente iguais e nunca nada de novo acontecia. O que me alegrou não ter que fazer 7 dias adicionais a seguir aos 14 e poder passá-los na única cidade que aceita sete dias de monotorização: Xangai!</p>
<p>Assim que obtive a confirmação que era possível, tentei saber a hora de saída do hotel no último dia e comprei um bilhete de avião para Xangai, mesmo que tenha sido para o aeroporto de Pudong, mais afastado da cidade&#8230; Não interessava, o que interessava era acabar a quarentena e mandar passear esses 7 dias e poder andar à solta, em Xangai, uma cidade que adoro. Isso e o hotel! Agora era esperar que acabasse para poder ir à minha vida! E esse dia finalmente chegou, o fim da quarentena!</p>
<p>Dormi bem mas acordei cedo, bem cedo para arrumar o quarto, fazer o resto das malas e preparar-me para fazer o <em>checkout</em>.</p>
<p>No <em>hall </em>do hotel, assinei uns papéis de quarentena, deram-me um certificado &#8211; diploma de quarentena? &#8211; e tivemos direito a serviço vip para o aeroporto. Vieram buscar-nos, chegámos ao aeroporto, aguardámos no autocarro, fizemos o <em>check-in </em>das malas num balcão especial sem filas, passámos à frente na fila da segurança e depois disso, estava livre, livre para ir para Xangai, não ter que fazer mais sete dias adicionais de quarentena. A sensação de felicidade e de liberdade é indescritível.</p>
<p>Alguns asiáticos acham que a comida dos ocidentais é <em>fast food</em> de pizzas e hambúrgueres, mas o que fiz a seguir antes do voo para Xangai foi reforçar essa ideia: comer um grande hambúrguer no Burger King e uma Coca-Cola! Não me lembrava dum hambúrguer ser tão bom. Na porta de embarque e no voo dei por mim a olhar para a cara das pessoas&#8230; Fazia semanas que não via caras na vida real e sentia-me um extraterrestre acabado de aterrar no planeta Terra a olhar curioso para tudo quanto o rodeia.</p>
<p>Chegado a Xangai queria muito ir buscar as malas ao tapete, pedir um carro e ir para o hotel. A vontade de “fugir” era muita. Cheguei, fiz o check-in no hotel, recebi as instruções dos PCRs a fazer naqueles sete dias, tomei um duche e fui sentir o ar fresco e puro da noite. Em Xangai, na zona da Concessão Francesa, um céu limpo, avenidas cheias de plátanos, arquitectura colonial, pequenos cafés, restaurantes, muita luz e muita vida. Nessa noite jantei, bebi cerveja e passeei. Lembro-me de me sentir muito feliz de ter terminado a quarentena. Os próximos 7 dias de montorização foram mais fáceis: dois exames no primeiro e penúltimo dia, medição diária de temperatura, idas ao escritório, passeios de bicicleta pela cidade e jantares com amigos que a pandemia separou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi a penúltima etapa da Rota da Seda, da rota do regresso do que antes eram apenas 14 a 16 horas e achávamos extenuante.  A pandemia esticou o tempo como pastilha elástica e as distâncias que antes eram apenas de umas horas, tornaram-se distâncias de vários dias. Passaram a ser 21 dias para regressar a Pequim, onde tenho o trabalho, amigos, rotina, etc. É a nova Rota da Seda que parece ter vindo para ficar, pelo menos durante algum tempo. Uma longa expedição, comparável com a que faziam os portugueses para o Brasil no século passado. Não são passados no mar, mas são passados em parte em ansiedade, em isolamento social e em “fazer tempo” noutra cidade até pode regressar. Mas não é impossível, “faz-se”, é mais uma experiência que fica para contar a filhos e netos, uma experiência pessoal de resistência mental que podemos aproveitar para trabalhar, estudar, descansar do mundo lá fora e das pessoas, pensar na vida&#8230; Não é que queira repetir, mas sei que possivelmente terei que comprar uma fichinha e embarcar em mais uma voltinha no carroussel da quarentena&#8230;</p>
<p><em><strong>Rosendo Guimarães da Costa</strong></em>,</p>
<p>Pequim, 21 de Fevereiro de 2021</p>
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		<title>Vistos Gold: Desmistificar os Mitos &#8211; Por Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/vistos-gold-desmistificar-os-mitos-por-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Feb 2022 15:41:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos tempos muito se tem criticado os “Visto Gold”, alegando-se que atraem corrupção, que são uma forma injusta de vender passaportes a ricos que não se sabe como obtêm rendimentos, que escondem corrupção e lavagem de dinheiro, que são responsáveis pela baixa natalidade e o elevado custo da habitação para os portugueses, pelo que &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos tempos muito se tem criticado os “Visto Gold”, alegando-se que atraem corrupção, que são uma forma injusta de vender passaportes a ricos que não se sabe como obtêm rendimentos, que escondem corrupção e lavagem de dinheiro, que são responsáveis pela baixa natalidade e o elevado custo da habitação para os portugueses, pelo que se urge desmistificar alguns mitos apresentando razões e motivações de fundo.</p>
<h6>A RESIDÊNCIA POR INVESTIMENTO</h6>
<p>Desde logo, o programa português – é um programa de residência por investimento (RBI) – e não com um programa de cidadania por investimento como é o caso de países como o Chipre e Vanuatu (CBI). Em Portugal não se permite adquirir nacionalidade por naturalização a quem simplesmente investe no Golden Visa. O passaporte é um direito adquirido dum cidadão de determinado país de obter um documento – chamado isso mesmo, passaporte – que lhe permite viajar e usar tal documento no país de destino. Para se obter esse passaporte, primeiro é preciso obter a nacionalidade e um investidor de Golden Visa, só o consegue eventualmente fazer ao fim de cinco anos, mantendo o seu título de residência válido durante este período, mantendo o seu investimento sujeito a oscilações de mercado, fazendo um exame de língua portuguesa, que não constitua ameaça para a segurança do Estado português e não tenha sido condenado com pena de prisão igual ou superior a três anos.</p>
<p>Além disto, nem todo o investidor de Golden Visa – e se aplicável, os seus familiares – pode adquirir livremente nacionalidade portuguesa ao fim de cinco anos se isso significar abdicar da sua nacionalidade originária pelo facto do seu país não admitir segunda nacionalidade, como é o caso da China que refere na sua lei da nacionalidade que a aquisição de uma segunda nacionalidade pelo cidadão chinês determina a perda da sua nacionalidade chinesa. É um critério que tem que ser ponderado pelo investidor interessado, como o de um norte-americano que sujeito a um princípio da tributação universal de rendimentos, entenda que lhe é mais favorável ter nacionalidade portuguesa e abdicar da americana por causa da <em>“perseguição fiscal”</em> dos EUA aos seus cidadãos a qualquer rendimento obtido em qualquer parte do mundo. Em todo o caso, num mundo cada vez mais globalizado e em que critérios de etnia e religião deixam de ser relevantes, se um Estado o permite, é perfeitamente legítimo que alguém, de forma legal, adquira uma segunda residência noutro país, ou de um cidadão brasileiro que por causa de motivações políticas e insegurança, queira legitimamente deslocar o seu património para Portugal, investindo-o, obtendo um Golden Visa e mais tarde obter nacionalidade portuguesa.</p>
<h6>A SEGURANÇA DE PORTUGAL</h6>
<p>As motivações-chave de escolha dum investidor de Golden Visa em Portugal, são variadas e fundam-se em situações de realidade social, cultural, económica e religiosa existentes no próprio país de origem e região, como um indiano que seja muçulmano e sinta dificuldades no seu país, como um russo com receio da situação política, um sul-africano caucasiano, um turco que vem dum país politicamente instável, um chinês da “<em>mainland China</em>”, de Taiwan ou Hong Kong, que dispensam apresentações e que toda a gente percebe o porquê de escolher como segurança um país como Portugal, politicamente estável e seguro, onde existe igualdade de género, um serviço nacional de saúde invejável, um acesso à Justiça e Educação, onde se vê o céu azul todos os dias e não existem problemas de poluição, de sobrepopulação sendo também uma porta para a União Europeia, esta símbolo de prosperidade, solidariedade, segurança, democracia.</p>
<p>Penso também ser motivo de orgulho geral que cidadãos de países titãs escolham o nosso pequeno país para investir, que padece da sua localização na periferia geográfica da Europa- e muitos de facto apaixonam-se, colocam os seus filhos a estudar em escolas portuguesas, investem em negócios, consomem produtos portugueses, geram riqueza, atraem gente nova e aumentam a natalidade. Na China há lojas de produtos de cortiça, vinho do Porto e Madeira que vendem com sucesso, fruto sobretudo do contacto de chineses com a cultura portuguesa e quando visitaram o nosso país.</p>
<h6>O SURGIMENTO DOS VISTOS GOLD</h6>
<p>Sobre este programa, que de resto, existe já em vários países, incluindo na América do Norte (Canadá e o EB-5 dos EUA), passando pelos países do quadrante europeu como Espanha, Malta, Itália, Irlanda, Grécia, Bulgária, o próprio Reino Unido, etc., foi (tardiamente) introduzido pela <a href="http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;nid=1777&amp;pagina=1&amp;ficha=1">Lei n.º 29/2012, de 09 de Agosto</a> alterado a Lei n.º 23/2007, de 04 de Julho.</p>
<p>Os portugueses recordam-se do panorama económico e social de Portugal nessa época: um antigo primeiro-ministro português admitiu em 2011 que Portugal estava numa situação de bancarrota financeira e que seria necessário requerer assistência financeira ao FMI.</p>
<p>O Governo que sucedeu e liderado por Passos Coelho enfrentou as durezas das medidas e imposições da Troika em Portugal, viveram-se períodos de pobreza, de cortes nas pensões, de baixo consumo e aforro e de emigração em massa dos jovens. Tínhamos um país à beira do colapso e sendo um país com uma fraca economia não surpreende que estejamos dependentes de investimento estrangeiro, seja no turismo e restauração, seja na abertura de sucursais de empresas estrangeiras, de compra de participações sociais de empresas, de títulos da dívida pública, de aquisição de fundos de investimento e de investimento em imobiliário, muito do qual requalifica os outrora abandonados prédios dos centros históricos das maiores cidades e que davam mau aspeto à cidade, grafitados, onde pululava a toxicodependência, prostituição e criminalidade.</p>
<p>Portugal percebeu que com a criação dum programa de residência por investimento seria capaz de captar o capital necessário para meter a construção a andar, de mobilizar o então parado e obsoleto mercado imobiliário, de arrecadar mais impostos e taxas enchendo os cofres do Estado, de colmatar o vazio deixado pela emigração jovem, de aumentar substancialmente a quantia de liquidez dos bancos em depósitos bancários e de criação de mais emprego.</p>
<p>E foi precisamente o que fez, aliás usando como base a DIRECTIVA 2011/98/UE do Parlamento Europeu e do Conselho a que está obrigado a transpor para a sua ordem jurídica através de legislação do direito interno e em virtude do princípio constitucional de harmonia com o direito internacional e de prevalência das normas da União Europeia plasmado no artigo 8º da CRP.</p>
<p>Basicamente, Portugal, usou e bem uma diretiva da União Europeia sobre autorizações de residências a conceder a cidadãos de Estados-Terceiros, integrou-a no seu ordenamento jurídico em harmonia com o direito europeu e usou-a em seu benefício legítimo para atrair investimento estrangeiro.</p>
<p>E criou-se todo um conjunto de negócios legítimos em torno do Golden Visa: contabilidade e representação fiscal de não residentes, imobiliárias, construtoras, agências de imigração, sociedades de gestão de capital de risco, criação de canais e contas bancárias próprias para investidores o que gerou mais empregos, mais salários, mais riqueza, mais infraestruturas e mais impostos.</p>
<h6>OS NÚMEROS DO INVESTIMENTO</h6>
<p>Em fins de 2012 com o arranque do Golden Visa, o investimento total em Portugal (com o Golden Visa), segundo dados do SEF foi de € 2 155 873,56; em 2013 catapultou para € 304 002 774,99; em 2014 foram concedidas 1526 autorizações de residência para investimento ao abrigo do art 90-A da Lei 23/2007 e o investimento total foi de € 921 314 178,34.</p>
<p>Desde o início do programa até fim de 2021 o total de investimento em Portugal com o Golden Visa foi de € 5.964.585.395,77.</p>
<p>Há também que desmistificar que o Golden Visa é venda de casas a estrangeiros ricos. Isto não é verdade. A verdade é que muitos estrangeiros, sobretudo os chineses, optam por adquirir imobiliário, mas isso é algo que está incutido na cultura de investimento chinesa pelo facto de os chineses, no próprio país não terem outra opção de investimento, pelo facto do mercado de capitais ser uma montanha-russa instável, pelo facto de compra de imobiliário de pais a filhos ser uma tradição para que os mesmos possam casar, sendo ainda uma exigência dos pais das esposas e pela própria rentabilidade. Os chineses sabem que o investimento em imobiliário apesar de ilíquido é estável, não cai regularmente, sabem que valoriza, que o podem arrendar e mais tarde entregar aos filhos uma vez que em Portugal o direito de propriedade tem proteção constitucional e não é um sistema como o chinês em que no fundo se adquire um direito de usufruto quase centenário sobre um imóvel, findo o qual se não for adquirido de novo passa para as mãos do Estado. E muito devemos a este investimento chinês em imobiliário que embelezou os velhos centros históricos, que trouxe de novo residentes para os centros das cidades e afastou a criminalidade dessas zonas. Quando passeamos pelos centros históricos de Lisboa e no Porto os renovados e coloridos prédios centenários renovados não o foram com capital de portugueses, foram-no com capital estrangeiro e isso por si só é motivo de gratidão.</p>
<p>Mas além da aquisição de imobiliário para investimento em Golden Visa há outras modalidades: há a transferência do valor de € 1 500 000 de capitais para instituições bancárias, investimento em valores mobiliários ou títulos da dívida pública, que deverá ser mantido até ao fim do período de investimento; há o investimento em fundos de investimento que tem tido bastante procura ultimamente e que é usado para capitalizar empresas e construir imobiliário, seja habitacional seja de restauração; há  a opção do investimento de € 500 000 para atividades de investigação desenvolvidas por instituições públicas ou privadas de investigação científica, integradas no sistema científico e tecnológico nacional; há a opção de constituição de uma sociedade comercial com sede em território nacional, conjugada com a criação de cinco postos de trabalho permanentes, ou para reforço de capital social de uma sociedade comercial com sede em território nacional, já́ constituída, com a criação ou manutenção de cinco postos de trabalho, pelo período mínimo de 3 anos; e ainda a opção de investir em produção artística, preservação ou conservação do património cultural.</p>
<p>Posto isto, como errada e geralmente se entende, o Golden Visa não se identifica nem se esgota com a venda de imobiliário, mas se virmos a totalidade das opções de investimento percebe-se que quem investe, embora saiba que vai obter um bem imaterial a título de benefício (uma autorização de investimento) não se sente compelido a investir em mecenato, em investir a fundo perdido na conservação do património, produção artística ou investigação científica. Quem investe em Golden Visa espera também que ao fim dos cinco anos possa ter o retorno do seu investimento (ROI) independentemente de ser baixo ou elevado e por algum motivo se apelida de “autorização de residência para investimento” e não “autorização de residência para mecenato ou doação” e as opções que dão mais segurança, que garantem o retorno de investimento e o regresso do mesmo às mãos do investidor são o investimento em imobiliário e em fundos de investimento.</p>
<h6>COMBATE À CORRUPÇÃO</h6>
<p>Outro mito errado e que a meu ver é o mais grave é o de apelidar o investidor de pouca honestidade, com rendimentos obscuros e que procura o Golden Visa para fins ilegítimos<em>.</em></p>
<p>O processo todo é sujeito a um grande escrutínio, a um <em>“</em><em>due diligence</em><em>”</em> rigoroso, sobretudo, depois da publicação da Lei n.º 83/2017 e que estabelece medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo e que obriga todo um conjunto de entidades que lidam com o Golden Visa a deveres de controlo, deveres de identificação e diligência, deveres de comunicação, dever de abstenção, deveres de conservação, deveres de exame, deveres de colaboração, etc., ou seja estão obrigadas a verificar que os clientes com quem lidam não são criminosos, não estão a lavar dinheiro nem a financiar terrorismo – instituições de crédito e entidades bancárias; empresas de investimento e outras sociedades financeiras, sociedades de investimento mobiliário e sociedades de investimento imobiliário autogeridas; sociedades de capital de risco, investidores em capital de risco, sociedades de empreendedorismo social, sociedades gestoras de fundos de capital de risco, sociedades de investimento em capital de risco e sociedades de investimento alternativo especializado, autogeridas; sociedades que comercializam, junto do público, contratos relativos ao investimento em bens corpóreos; auditores, contabilistas certificados e consultores fiscais, constituídos em sociedade ou em prática individual; advogados, solicitadores, notários e outros profissionais independentes da área jurídica, constituídos em sociedade ou em prática individual – e aplicando-se a outro tanto incomensurável tipo de actividades – atividades imobiliárias; mediação imobiliária; compra, venda, compra para revenda ou permuta de imóveis; arrendamento; promoção imobiliária.</p>
<p>Mais: os bancos que são quem abre as contas bancárias dos clientes de Golden Visa e para os quais e através dos quais se transferem e movimentam os fundos para o investimento a realizar em Portugal estão obrigados a um <em>“</em><em>due diligence</em><em>”</em> e a um <em>“</em><em>know your client</em><em>”</em> ainda mais rigoroso, à mercê do Aviso do Banco de Portugal n.º 2/2018, de 26 de Setembro.</p>
<p>Este documento de 70 páginas do Banco de Portugal ordena que os bancos procedam a todo um conjunto de deveres de identificação e diligência, elementos identificativos de clientes e representantes, a obrigação de obtenção de meios comprovativos dos elementos identificativos de clientes e representantes, finalidade e natureza da relação de negócio, origem e destino dos fundos, caracterização da atividade de negócio/financeira dos clientes, informações e meios comprovativos adicionais. Ou seja, um estrangeiro que queira abrir uma conta em Portugal, um estrangeiro investidor em Golden Visa, não apresenta simplesmente o seu passaporte, comprovativo de morada e abre uma conta bancária. Tem antes que provar a origem dos fundos, entregar comprovativos de atividade e rendimentos, número de identificação fiscal do país de origem, formulários “<em>kyc</em>” e de identificação do cliente detalhados, ser avaliado se é considerado um indivíduo que esteja sujeito a uma diligência mais elevada (<em>enhanced due diligence</em>) por causa da natureza do seu negócio ou eventuais laços políticos, eventualmente submeter registos criminais, etc.</p>
<p>Os bancos, as imobiliárias e empresas promotoras de fundos ou sociedades de capital de risco e sociedades de advogados são o primeiro filtro rigoroso a que o investidor está sujeito, todos fazendo o seu próprio <em>“</em><em>due diligence</em><em>”</em> ao cliente, mas não acaba aqui. Posteriormente, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que facto é um órgão de polícia criminal, irá fazer o seu escrutínio, solicitar registos criminais, passaportes, analisar vistos e onde o cliente este nos últimos anos, os seus familiares têm que comprovar laços familiares, se os pais do investidor vivem a cargo do investidor, se o filho maior é solteiro e ainda se encontra a estudar, pesquisar no espaço Schengen se existe alguma irregularidade, comunicar com autoridades policiais estrangeiras.</p>
<p>Por fim, a título de exemplo, uma breve nota sobre os rendimentos e a origem dos rendimentos dos investidores.</p>
<p>Ora, por exemplo, a China, que é a segunda maior economia, que tem a maioria de investidores de Golden Visa, que tem um GDP de 14,72 triliões de Dólares – é a fábrica do mundo. É a fábrica do mundo que beneficia das suas infraestruturas, do seu vasto território e do impressionante número de habitantes. E onde é que isto releva? Releva no facto, por exemplo, de a China ser uma superpotência de manufaturas, de produção de todo o tipo de bens que exporta para o resto do mundo, onde o “<em>supply chain</em><em>”</em> é difícil de ser substituído por outra nação, graças ao baixo custo de produção dos bens, às super infraestruturas de transportes terrestres, férreas, aéreas e portuárias que permitem que grande quantidade de bens chegue rapidamente a qualquer parte do mundo, onde surgem ricos todos os dias fruto da industrialização, IT e de simples negócios e atividades profissionais.</p>
<p>Para se ter uma ideia, alguém que abra um pequeno restaurante numa cidade de 22 milhões de habitantes como Pequim, se for bem-sucedido, muito graças à quantidade de clientes lá passam diariamente, se tiver sucesso, ao fim de um ano ou dois já tem uma cadeia de restaurantes em Pequim e já tem aforrado dinheiro suficiente para investir € 500 000 num Golden Visa em Portugal. Quem tenha uma fábrica de plástico e exporte o seu produto, consegue enriquecer rapidamente; quem invista num bem imóvel numa <em>“</em><em>first tier city</em><em>”</em> na China (Pequim, Xangai, Cantão e Shenzhen) com a valorização rápida do imóvel, uns três ou quatro anos mais tarde terá um ótimo retorno, poderá comprar um imóvel numa zona mais barata e menos central da cidade e investir esse dinheiro, por exemplo, num Golden Visa. Os exemplos não se esgotam aqui: um <em>general manager</em> duma empresa chinesa, ganha facilmente € 10 000 por mês, um cirurgião sénior ou um advogado <em>partner</em> duma grande sociedade mais de € 500 000 ou até de € 1 000 000.</p>
<h6>A VANTAGEM DOS VISTOS GOLD PARA PORTUGAL</h6>
<p>Em conclusão, o programa do Golden Visa é indubitavelmente vantajoso para Portugal, para a sua economia, para gerar liquidez, postos de trabalho, dinamizar e estimular a construção de habitação e infraestruturas, é um bom exemplo do que significa a livre escolha de um cidadão de um Estado-Terceiro duma segunda opção de residência e eventualmente de nacionalidade usando mão da era de aldeia global em que vivemos e no seu corolário lógico da boa tradição portuguesa de bem acolher quem vem de fora. Destarte, tendo Portugal uma baixa taxa de natalidade e um grande ê<strong>x</strong>odo de jovens portugueses rumo ao estrangeiro é perfeitamente legítimo e justificável que tente contrabalançar esse défice recorrendo a imigração jovem, em idade ativa que se procure estabelecer em Portugal e lá constituir família.</p>
<p><strong>Rosendo Guimarães da Costa</strong><br />
– em Pequim, China</p>
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	</item>
		<item>
		<title>País das Máscaras &#8211; Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/pais-das-mascaras-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2020 11:25:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase um mês depois, o país está parado&#8230; Entramos de férias em 17 de Janeiro por causa do ano muitos ainda não sabem quando se regressa ao trabalho. Eu tenho data agendada para dia 24, mas quem estuda e trabalha nas escolas, academias e universidades ainda não há data de reabertura. O país está parado, &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quase um mês depois, o país está parado&#8230; Entramos de férias em 17 de Janeiro por causa do ano muitos ainda não sabem quando se regressa ao trabalho. Eu tenho data agendada para dia 24, mas quem estuda e trabalha nas escolas, academias e universidades ainda não há data de reabertura.</p>
<p>O país está parado, com todas as consequências que isso traz: em termos económicos tem representado perdas na ordem dos biliões afectando todas as actividades &#8211; turismo, hotelaria, restauração e comércio “levaram logo uma pancada”, porque as pessoas estão assustadas e não saem à rua, não viajam, não comem fora, não fazem compras nas ruas, shoppings e avenidas &#8211; sendo a altura do Ano Novo Chinês a época e que os chineses gastam bastante dinheiro em prendas para familiares -, não vão ao cinema, não se juntam e ficam fechadas em casa, além do prejuízo de shoppings e lojas de estarem abertos, com funcionários a trabalhar a meio gás e sem clientes; as empresas de todos os sectores estão paradas e se o Governo chinês incentiva à prática do trabalho remoto isso não é produtivo por vários motivos: porque há sectores como o secundário e primário em que simplesmente não se pode trabalhar remotamente a partir de casa e, no caso das empresas, não há reuniões, não há controlos hierárquicos de chefias no local, as pessoas estão fechadas em casa e tanto podem fazer como não fazem, fazem como e quando querem e isso não é produtivo; e o desastre não é só para a China, também é para a Europa porque a China é um grande produtor de bens exportados para a Europa e é um grande consumidor do mercado global &#8211; e quando maior a demora em retomar a produção maior o risco; em termos psicológicos e sociais é um cenário angustiante &#8211; as pessoas ficam fechadas em casa, aborrecidas, angustiadas, deprimidas, gera-se revolta interior de quem sofre perdas financeiras, muitas são obrigadas, por recomendação das autoridades chinesas e implementação das empresas, a tirar férias e quem não pode a tirar baixas médicas &#8211; não há nada na lei laboral chinesas sobre “layoff” em caso de calamidade, epidemia, desastre e recomendou-se as empresas a pagar o mínimo de 80% do salário mínimo local o que, p.ex. em Pequim, corresponde a sensivelmente € 285,00, mas empresas há que estão a pagar a totalidade aos funcionários &#8211; há também associações de arrendatários a fazer pressão para baixa das rendas durante o mês de Fevereiro.</p>
<p>Sair à rua não ajuda: o cenário é apocalíptico com lojas fechadas, papéis rosados colados nas portas sobre aviso de fecho e sem aviso de reabertura; avenidas e construções faraónicas dignas duma megacidade em que não se vê vivalma; pedestres de cara vazia escondida por entre uma máscara em que não se consegue ver emoções, que se evitam tocar ou cruzar com estranhos na rua; pessoas que abrem portas com pés e usam mangas para tocar nos botões de elevador; situações bizarrras em que ninguém que estar de frente a falar para outra pessoa e evitam qualquer contacto com outro ser humano; numa cidade em que queixo do barulho existe um silêncio cortante e arrasador.</p>
<p>Ontem, fui a um shopping que conheço bem, onde adoro ir comer a certos restaurantes, comprar roupa ou ir ao cinema e achei impressionante: em situação normal, levo encontrões, desvio-me à pressa das pessoas que parecem vir contra mim na minha direcção, o barulho ensurtecedor de vozes que não se conseguem distinguir, filas nas máquinas dos bilhetes do cinema, ou filas à porta dos melhores restaurantes e não vi ninguém&#8230; Absolutamente ninguém, parecendo que a imensa multidão típica das pessoas se tinha evaporado&#8230;</p>
<p>Rosendo Costa em Pequim</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Um Vírus não uma Guerra &#8211; Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/um-virus-nao-uma-guerra-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 14:44:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As férias do Ano Novo chinês, que deveriam ter terminado ontem, estenderam-se até dia 10 de Fevereiro. Infindáveis circulares dos governos locais pela China, aconselham as pessoas a não sair de casa, a não viajar, a não frequentar espaços fechados em contacto com outras pessoas ou espaços abertos onde haja outras tantas e a reiniciar &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As férias do Ano Novo chinês, que deveriam ter terminado ontem, estenderam-se até dia 10 de Fevereiro. Infindáveis circulares dos governos locais pela China, aconselham as pessoas a não sair de casa, a não viajar, a não frequentar espaços fechados em contacto com outras pessoas ou espaços abertos onde haja outras tantas e a reiniciar a actividade no dia 10 de Fevereiro &#8211; as escolas e universidades estão fechadas sem data de reabertura.</p>
<p>O processo de quarentena chinês é inédito e impressionante: inédito porquanto nunca se fechou uma cidade de 11 milhões de habitantes e impressionante a velocidade e eficiência com que os chineses têm levado a cabo todo o processo.</p>
<p>No entanto, não é o drama que a comunicação social faz querer parecer para aumentar a venda de edições impressas ou os “clickbaits” nas notícias. Sim têm morrido muitas pessoas &#8211; a esmagadoria maioria de idade e com outros problemas de saúde latentes -, sim têm milhares de pessoas infectadas (independentemente de haver números ocultos ou não), mas falamos de um país que constitui 1/6 da população mundial o que quer dizer que não chega a 1% da população total do país &#8211; em termos nus e crus há mais probabilidade de morrer num desastre de viação em Portugal do que do coronavírus na China.</p>
<p>Tirando a província de Wuhan em total quarentena, não faltam recursos na China, incluindo comida, água, saneamento, electricidade, gás, internet, transportes (se bem que com grandes limitações) e internet.</p>
<p>No demais, muita gente &#8211; familiares, amigos, conhecidos e “aqueles” conhecidos (os conhecidos que só aparecem “oportunamente” quando lhes cheira a desgraça) &#8211; têm vindo enviar-me links de notícias (como se eu andasse a dormir e não soubesse o que se passa no país onde vivo), a perguntar-me se estou bem, que deveria regressar &#8211; não estou na Síria, não há aqui uma guerra, é um vírus e não não vou apanhar um avião de volta para Portugal para arriscar ser contagiado no aeroporto ou voo, colocar em risco amigos e familiares, nem para ser massacrado com perguntas e comentários pouco inocentes das pessoas &#8211; “então, ouvi dizer que aquilo na China está mau”, “vieste de vez?” &#8211; ou para ver as pessoas no café a mudarem-se para outra ponta do estabelecimento ou mudarem de passeio quando me virem.</p>
<p>O sítio mais seguro e a decisão mais sensata é mesmo esta: Pequim, a capital chinesa, e ficar em casa todos os dias fechado em quarentena, num condomínio a ser desinfectado diariamente nas áreas comuns, onde ninguém que não seja morador entra e onde TODA a gente é submetida a testes de temperatura feitos por uns “gajos vestidos de astronautas”.</p>
<p>Por fim, sim estão a fechar rotas internacionais e voos directos, mas isso não me assusta&#8230; Vivo neste país há seis anos, não estou cá de férias há duas semanas&#8230; Por outro lado, se passasse a vida a fugir de obstáculos ou perigos viveria em constante pânico e nunca alcançaria nada na vida&#8230;</p>
<p><strong>Rosendo Costa</strong><br />
<em>31.01.2020</em><br />
<em>Pequim, China</em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Festival Qingming &#8211; Um Vareiro na China</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-festival-qingming-um-vareiro-na-china/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Apr 2019 10:34:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] “Ano Novo Chinês”, “Festival de Outono”, “Festival do Barco do Dragão”, “Festival das Lanternas”, “Festival dos Túmulos”, são os festejos chineses que não encontram paralelo com os nossos festejos ocidentais. Antes de cá chegar não conhecia nenhum tirando o ano novo chinês que só tinha ouvido falar por alto e com as notícias &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: left;">[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;]</div>
<p>“Ano Novo Chinês”, “Festival de Outono”, “Festival do Barco do Dragão”, “Festival das Lanternas”, “Festival dos Túmulos”, são os festejos chineses que não encontram paralelo com os nossos festejos ocidentais.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://si.wsj.net/public/resources/images/BN-NJ514_0404QI_M_20160404042549.jpg" width="418" height="278" />Antes de cá chegar não conhecia nenhum tirando o ano novo chinês que só tinha ouvido falar por alto e com as notícias da televisão e sobre os outros nada sabia. No primeiro ano cá, só sabia que era feriado porque os colegas chineses referiam, mas mesmo assim tirando isso, não sabia o que se festejava nem que tradições se observava nesses festejos&#8230; Hoje em dia, cinco anos volvidos, é diferente&#8230; Já estou mais atento ao significado dos festejos chineses&#8230;</p>
<p>Entre amanhã dia 04 de Abril e o dia 06 de Abril tem lugar um festival com mais de dois mil anos, o chamado “Qingming Festival” (“Tomb-Sweeping Festival” em inglês) e que é um festival parecido com o nosso primeiro de Novembro, o Dia de Todos os Santos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://i.ytimg.com/vi/YCB8n-fYQlM/maxresdefault.jpg" width="421" height="237" />Mas tirando o facto de se visitar as campas, limpá-las, oferecer flores e rezar, o Qingming Festival é uma romaria aos túmulos em que se decoram os mesmos, onde se fazem oferendas de comida e bebida aos antepassados.</p>
<p>A oferta de comida e bebida tem relação com as crenças budistas em que se acredita que aqueles que falecem com culpa não conseguem comer no pós-vida tirando no dia do Festival Qingming.</p>
<p>Os festivais chineses não calham sempre nas mesmas datas, tirando o do de Outono que calha sempre de 01 a 07 de Outubro, variam de ano para ano em consonância com o calendário lunisolar chinês. Este – o Qingming Festival – calha no primeiro dia do quinto termo solar segundo o calendário lunisolar chinês.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://roxy2046.files.wordpress.com/2012/04/e9a38ee7ad9d2.png" width="420" height="263" />Normalmente começa com a deslocação aos cemitérios com limpeza dos túmulos, oferta de comida e bebida favorita do defunto em conjunto com queima de papel em formato de notas na crença de que o defunto não padeça de falta de comida e bebida no além.</p>
<p>Também é tradição lançar papagaios de papel nos parques e à noite lançar lanternas de papel com velas em imagens que relembram máscaras chinesas. Como o mês de Março marca o fim do Inverno e o início da Primavera, mesmo em cidades de temperaturas polares como Pequim, o Festival Qingming é uma óptima altura para ver as cerejeiras em flor brancas e rosas nos imensos parques gigantes das cidades chinesas – cá por Pequim o mais famoso para o efeito é o Parque de Yuyuantan.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://talesalongtheway.files.wordpress.com/2014/01/535585_423129087769912_251038013_n2.jpg" width="415" height="277" />Como não podia faltar nos festivais chinesas há pratos típicos para comer como o bolo de arroz doce verde, feito de arroz glutinoso, caldo de legumes e recheado de pasta de feijão vermelho doce, as papas de flor de pêssego ou os caracóis do Festival Qingming, cozinhados com cebola, gengibre, molho de soja e vinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Rosendo Costa</em></strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Relato de um Alien- Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/relato-de-um-alien-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Mar 2019 11:37:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.ovarnews.pt/?p=36656</guid>

					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] Quando aterrei aqui pensei que os “aliens” fossem os nativos deste planeta China, mas cedo me apercebi que o alien sou eu. Errei na escolha da minha aparência humana, não tenho olhos rasgados, nem cabelo preto, tenho olhos azuis e sou caucasiano, de tal jeito que diariamente sinto as pessoas a penetrarem-me com &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: left;">[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;]</div>
<p>Quando aterrei aqui pensei que os “aliens” fossem os nativos deste planeta China, mas cedo me apercebi que o alien sou eu. Errei na escolha da minha aparência humana, não tenho olhos rasgados, nem cabelo preto, tenho olhos azuis e sou caucasiano, de tal jeito que diariamente sinto as pessoas a penetrarem-me com o seu intenso olhar como se eu fosse uma criatura verde de outro planeta. Por mais que tente, não consigo esconder a minha cara de extraterrestre.</p>
<p>O planeta China é muito movimentado, barulhento, caótico. O estilo de língua é muito diferente do nosso, não é romanizado, é composto por milhares de caracteres e para os saber ler é preciso saber o tom. Os tradutores de voz não servem aqui, foram feitos apenas para as línguas do nosso planeta.</p>
<p>Descobri novos sabores, formas de confeccionar e fazer comida que nunca imaginaria possível: nunca me imaginei a comer cobra frita, casulos de bicho da seda, ovos centenários que são enterrados em argila debaixo do solo, uma couve picante fermentada chamada “kimchi” ou descobrir que comer com pauzinhos é mais prático do que comer com garfo e faca.</p>
<p>O nosso Zodíaco é diferente, aqui não sou “leão” sou “dragão”, não no sentido clubista de “SCP” ou “FCP”, mas porque as criaturas da roda do Zodíaco são diferentes, não mudam a cada mês, mas a cada ano e não de 31 de Dezembro para 01 de Janeiro, mas todos os anos, segundo um calendário lunar, algures no fim de Janeiro e inícios de Fevereiro.</p>
<p>Na capital do planeta China, há 22 milhões de habitantes amontoados a viver, muito diferente do planeta Europa onde as grandes cidades têm “apenas” 5 milhões e o céu não é azul, é cinzento, o ar fumarento e o Sol alaranjado e que tenta irromper pelo manto de nuvens de poluição que cobrem a super capital do norte. Mas o sistema de transportes é super eficiente: 16 linhas de metro mais extensões, dois aeroportos e mais um terceiro hiper-mega-gigante a ser construído no sul da cidade, arranha-céus que nascem como cogumelos, no meio do nada, a cada ano que passa. Muito diferente do planeta Europa onde os monumentos abandalhados e abandonados dão apenas lugar a especulação e a derrocada e os centenários sistemas de esgotos não permitem a extensão das linhas de metro.</p>
<p>Não se come cão cá como pensam muitos conterrâneos aliens meus, nem nós comemos<br />
hambúrgueres ou pizzas como pensam os nativos do planeta China.<br />
O sistema de comércio eletrónico é tão super desenvolvido e eficiente: nunca levanto dinheiro, uso sempre o QR code para pagar ou receber dinheiro; compro quase tudo online e quando entregam as encomendas se não estiver em casa não é como no país Portugal em é remetido de volta aos CTT de não sei onde – existem umas caixas mágicas à porta dos prédios com ecrã e password e basta introduzir a password da nossa encomenda e “voilá” retiramos a nossa encomenda.</p>
<p>Toda a gente no planeta Europa adora gelados e sobretudo os “gelatos” com um toque de nome italiano para parecer mais chique, mas desconhecem que o gelado foi inventado no planeta China quando os chineses misturaram leite e mistura de arroz na neve. O gelado foi inventado no planeta China e há até gelado de ERVILHA e FEIJÃO VERMELHO!</p>
<p>É este o primeiro relato geral sobre o planeta China. Enviarei outros mais detalhados posteriormente.</p>
<p>Rosendo Costa, nativo europeu destacado no planeta China.</p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2019/03/alien.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>52 Graus de Álcool e -14 de Temperatura &#8211; Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/52-graus-de-alcool-e-14-de-temperatura-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2019 16:13:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] &#160; Quem vem à China cedo se apercebe nos restaurantes e tascos que os chineses brindam e “mandam abaixo” em pequenos copos uma bebida transparente e cristalina como a água enquanto comem uns com os outros. Na verdade, de água não tem nada! Esta bebida cuja aparência engana é um poderoso veneno com &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/52-graus-de-alcool-e-14-de-temperatura-rosendo-costa/">52 Graus de Álcool e -14 de Temperatura &#8211; Rosendo Costa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: left;">[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;]</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem vem à China cedo se apercebe nos restaurantes e tascos que os chineses brindam e “mandam abaixo” em pequenos copos uma bebida transparente e cristalina como a água enquanto comem uns com os outros. Na verdade, de água não tem nada! Esta bebida cuja<br />
aparência engana é um poderoso veneno com graduação entre 39 % e 52 % de álcool e só para homens! Não admira que os decibéis da voz e das gargalhadas aumentem à medida que os 52% graus desta bebida venenosa chegam ao cérebro.</p>
<p>Normalmente nós bebemos bebidas tal teor de álcool numa noite de copos, bar, disco ou como digestivo após nos empanturrarmos de comida, mas os chineses, como sempre, são diferentes!<br />
Bebem durante as refeições, brindam a todo o tempo antes de beber e há que respeitar a etiqueta.<br />
Já vi chineses a cair para o lado e em coma depois de jantares de amigos à custa deste veneno<br />
que se chama “baijiu” (literalmente significa “vinho branco” – ao nosso vinho branco chamam<br />
“bai putao jiu” ou literalmente “vinho de uvas brancas”).<br />
Já se imaginaram a beber bagaço à medida que comem um cozido à portuguesa ou umas tripas à<br />
moda do Porto? Seria para chamar o “S. Gregório”!<br />
Tradicionalmente, os ibéricos acham-se grandes machos do álcool, orgulham-se de conseguir<br />
aguentar muito álcool e muitos “chimpões”, mas acreditem não tentem competir com chineses<br />
ou coreanos a beber.</p>
<p>Os coreanos são bem piores, há uma cultura de álcool fortemente<br />
enraizada na Coreia do Sul, é comum ver homens a dormir sobre vomitado nos jardins e até<br />
existe um serviço de motorista para ir buscar os “bon vivants” aos bares e karaokes, levá-los a<br />
casa e deitá-los na cama.<br />
Na Ásia, há etiquetas diferentes à mesa. Por exemplo, tanto na China como Japão é comum ouvir<br />
as pessoas a fazer barulho de “server” enquanto comem noodles ou arrotar o que em Portugal<br />
seria indelicado e uma falta de educação, mas há outros detalhes a que é preciso prestar<br />
atenção.</p>
<p>Quando se brinda com alguém se a outra pessoa for mais velha que nós ou em termos<br />
profissionais estiver hierarquicamente acima de nós, nunca devemos elevar o nosso copo acima<br />
do dessa pessoa durante o brinde, nem devemos beber sem brindar primeiro. Deve-se servir<br />
sempre os outros copos quando queremos servir o nosso e servir o nosso sempre por último.<br />
Não é muito comum beber-se vinho tinto com chineses às refeições seja uma refeição casual ou<br />
de negócios e quando aparece uma garrafa de vinho na mesa é porque os chineses sabem que<br />
estão a comer com um ocidental e querem respeitar essa diferença cultural (ou introduzi-lo ao<br />
“baijiu”).</p>
<p>Bebe-se quase sempre chá, cerveja e o “baijiu”.<br />
A cultura do chá também é muito forte por cá mas ficará para outra altura!</p>
<p>O “baijiu” na verdade é um termo generalista para designar uma categoria abrangente de cerca<br />
de doze sub-tipos de bebidas.<br />
O mais comum em Pequim e fortemente ligado à História, cultura e classe trabalhadora da<br />
capital chinesa é o “er guo tou”, uma bebida alcoólica destilada duas vezes, feita de sorgo e<br />
amplamente consumida na capital, com uma gradação até 52%.<br />
As marcas mais famosas são o “Hong Xing” (“Estrela Vermelha” ) e o “Niulan Shan” (“Montanha da Quinta da Vaca”), bastante famosas entre o colarinho azul de Pequim.<br />
De sabores completamente distintos, o “Hong Xing” assemelha-se ao nosso bagaço e o “Niulan<br />
Shan” tem um sabor menos adocicado e mais seco. Não sou consumidor habitual de “baijiu”, só<br />
excepcionalmente em jantares de negócios com parceiros, clientes ou família da namorada, mas<br />
dois copos pequenos chegam para ficar com ardor e começar a desabotoar a camisa &#8211; ao que se<br />
costuma seguir uma bela sesta, se for depois do almoço.<br />
Mas o “er guo tou” não é a bebida alcoólica chinesa mais conhecida, sendo apenas um tipo de<br />
“baijiu” consumido no nordeste da China. O mais famoso e que ficou conhecido após uma<br />
medalha de ouro em 1915 chama-se “Moutai”.</p>
<p>O “Moutai” originário da província do centro-sul da China chamada Guizhou é um tipo de<br />
“baijiu” feito a partir de sorgo e trigo com um processo de fermentação e destilação particulares.<br />
Com 400 anos de história a patente deste tipo de bebida pertence a uma companhia estatal<br />
chinesa que detém o monopólio da sua produção o que ajudou a determinar o seu alto preço de<br />
100 Euros por garrafa e as tentativas de falsificação da marca. Não é uma bebida que se possa<br />
comprar à confiança em qualquer sítio dando 100 Euros de mão beijada porque há o receio de<br />
ser falsificada.<br />
Nesta altura do ano, as empresas produtoras de “baijiu” não têm mãos a medir. Com o festivo<br />
ano novo chinês é a altura do ano em que mais publicidade e compras deste produto há e aqui<br />
pelo Norte com menos 14 graus de temperatura média durante o dia, só mesmo com algo quentinho com 52% para aquecer&#8230;</p>
<p>Rosendo Costa<br />
Um Vareiro em Pequim</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Nián e a Lenda do Ano Novo Chinês (Conclusão) – Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/nian-e-a-lenda-do-ano-novo-chines-conclusao-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Feb 2019 16:07:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] Em mandarim a passagem de ano diz-se “guo nian”, que significa “passar o nian”, “vencer o nian” que foi o que os aldeões fizeram. Até hoje sem mantém esta tradição de decorar as casas com adereços vermelhos e caracteres em dourado ou preto a desejar sorte, espanta-espíritos e rebentar foguetes durante o ano &#8230;</p>
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<p>Em mandarim a passagem de ano diz-se “guo nian”, que significa “passar o nian”, “vencer o nian” que foi o que os aldeões fizeram.</p>
<p>Até hoje sem mantém esta tradição de decorar as casas com adereços vermelhos e caracteres em dourado ou preto a desejar sorte, espanta-espíritos e rebentar foguetes durante o ano novo chinês.</p>
<p>A “consoada” de ano novo chinês é considerada a refeição mais importante do ano. Espera-se que os chineses regressem a casa e jantem com a família nesse dia, tal como nós fazemos com a<br />
consoada de Natal, para nós também é a refeição mais importante do ano.</p>
<p>Além da decoração e do jantar de ano novo há a tradição de oferecer envelopes vermelhos, em mandarim chamado “hong bao”. Os “hong bao” são tradicionalmente oferecidos pelos familiares mais velhos aos mais novos e pelos casais casados aos mais novos e solteiros.</p>
<p>As danças que se vê nas notícias e nos filmes de um dragão e leão de pano cobrindo outras que simulam as pernas dos mesmos, no meio da rua, ao som de tambores não são meros desfiles carnavalescos. Na verdade são as chamadas danças do dragão e do leão que têm como<br />
finalidade atrair sorte e prosperidade.</p>
<p>Normalmente nas danças do leão os acrobatas usam um toldo de pano que cobre o seu corpo, enquanto o dragão por ser uma criatura voadora é suportada pelos acrobatas e elevada no ar por estacas.</p>
<p>No norte da China é mais comum comerem-se dumplings e no sul é mais comum comer-se “nian gao”, uns pastéis feitos de arroz glutinoso. Oferecem-se mandarinas e são metidas nas salas para comer porque são igualmente significado de boa sorte.</p>
<p>Também é nesta altura que as famílias visitam os templos locais, queimam incenso e fazem oferendas às divindades pedindo desejos de ano novo e prestrando homenagens aos familiares.</p>
<p>O ano novo está quase a chegar e este ano calha a a 5 de Fevereiro, embora as férias oficiais comecem a 03 de Fevereiro e terminem a 07. Este ano é o ano do porco!</p>
<p>A seguir ao ano novo chinês, que este ano é o ano chinês do porco, vêm outros festivais como o festival dos túmulos, o festival do barco<br />
do dragão e lá para Outubro a semana dourada, mas sobre esses&#8230; escreverei mais adiante.</p>
<p>Xin nian kuai le! (Feliz Ano Novo em mandarim)</p>
<p><strong><em>Rosendo Costa</em></strong><br />
<em>Um vareiro em Pequim</em></p>
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		<item>
		<title>Nián e a Lenda do Ano Novo Chinês (Parte I) &#8211; Rosendo Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/nian-e-a-lenda-do-ano-novo-chines-parte-i-rosendo-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jan 2019 17:44:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] Quando mudamos de país carregamos connosco a herança da nossa língua, da nossa cultura, da nossa identidade nacional, da nossa gastronomia, mas cedo percebemos que o espaço físico onde crescemos nos limites artificiais do território geopolítico não é absoluto nem universal. Além fronteiras a nossa cultura não existe fora de nós, fora do nosso &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: left;">[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;]</div>
<p>Quando mudamos de país carregamos connosco a herança da nossa língua, da nossa cultura, da nossa identidade nacional, da nossa gastronomia, mas cedo percebemos que o espaço físico onde crescemos nos limites artificiais do território geopolítico não é absoluto nem universal. Além fronteiras a nossa cultura não existe fora de nós, fora do nosso coração, memória e alma, existe, no entanto, toda uma nova galáxia cultural por explorar.</p>
<p>Aqui não é diferente, há um “réveillon” diferente do nosso, não ocorre todos os anos de 31 de Dezembro para 01 de Janeiro, muda de data anualmente consoante o calendário lunar e é o maior movimento de massas do planeta. Milhões e milhões – muitos milhões de chineses – movimentam-se dentro do país de regresso à sua terra natal para passar o ano novo chinês, vão para fora em viagem com a família ou regressam à China.</p>
<p>Nunca viajo nesta data, nem para outros países, porque além do preço das viagens ser multiplicado, de ser congestionado e caótico, adoro a calma da capital chinesa durante o ano novo chinês.</p>
<p>Há dias em que parece mesmo um qualquer cenário duma série apocalíptica da Netflix ou AMC: aquelas escadas rolantes do metro onde não se vê ninguém a emergir e continuam a rolar sem parar; avenidas gigantes e desertas apenas com movimentos de folhas secas e papéis a esvoaçar, lojas fechadas, supermercados fechados&#8230; Pequim fica totalmente diferente, vira o oposto e até chego a ter espaço para me deitar nas carruagens do metro. Uma cidade de 22 milhões de habitantes onde a grande maioria da população residente não é local durante o maior êxodo de massas que o mundo conhece&#8230;</p>
<p>Senti maior curiosidade em perceber a história por detrás do ano novo chinês do que sinto em saber a do Halloween ou do Carnaval. No ocidente toda a gente conhece mais ou menos a história que rodeia o nosso evento mais festivo – o Natal &#8211; , mas muitos desconhecem a do Halloween ou do Carnaval, embora o celebrem, mas explicaram-me, explicaram-me em jeito de como se narra histórias às crianças a lenda que rodeia a celebração do ano novo chinês, que me ajudou a perceber as cores, o barulho, a comida, as decorações.</p>
<p>Na antiguidade havia um monstro chamado Nián (“nián” significa “ano” em mandarim), que vivia nas profundezas do oceano e emergia uma vez por ano para se alimentar das pastagens, do gados e dos aldeões sobretudo das crianças.</p>
<p>Todos os anos na altura do Nián aparecer os aldeões fugiam para as montanhas lá se refugiando até o Nián voltasse para as profundezas. Uma vez, apareceu um velhote na aldeia que se recusou a esconder nas aldeias, mas conseguiu afastar o monstro queimando bambu para simular o barulho de explosões e colando adereços vermelhos nas portas e janelas e vestindo-se de vermelho.</p>
<p>Os aldeões regressaram à aldeia e ficaram surpreendidos de a mesma não ter sido destruída. Daí em diante, todos os anos os aldeões vestiam-se de vermelho, decoravam as casas com adereços em vermelho, queimavam bambu e colocavam espanta espíritos nas portas das casas&#8230; O Nián nunca mais apareceu&#8230;</p>
<p><strong><em>Rosendo Costa</em></strong><br />
<em>Um Vareiro em Pequim</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/nian-e-a-lenda-do-ano-novo-chines-parte-i-rosendo-costa/">Nián e a Lenda do Ano Novo Chinês (Parte I) &#8211; Rosendo Costa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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		<title>A Alma da Cultura &#8211; Rosendo Guimarães Costa</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/a-alma-da-cultura-rosendo-guimaraes-costa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosendo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Jan 2019 15:22:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;] &#160; Somos portugueses, acordamos atrasados e saímos de casa à pressa para o trabalho ou aulas. Comemos cereais, croissants, pães mistos ou com manteiga, leite e café para o pequeno-almoço, dizemos “olá” e “bom dia” e tudo nos parece tão mecânico e natural, mas na verdade não o é. É apenas a nossa &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/a-alma-da-cultura-rosendo-guimaraes-costa/">A Alma da Cultura &#8211; Rosendo Guimarães Costa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: left;">[themoneytizer id=&#8221;16574-1&#8243;]</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Somos portugueses, acordamos atrasados e saímos de casa à pressa para o trabalho ou aulas. Comemos cereais, croissants, pães mistos ou com manteiga, leite e café para o pequeno-almoço, dizemos “olá” e “bom dia” e tudo nos parece tão mecânico e natural, mas na verdade não o é. É apenas a nossa identidade cultural ramificada nos confins da nossa alma, uma identidade tão forte nem vivendo fora dela nos conseguimos desprender.</p>
<p>Somos portugueses, mas nunca pensamos que nos sentimos como tal&#8230; até que vivemos fora&#8230; Cá acordamos cedo para evitar para evitar o congestionamento das grandes metrópoles, descobrimos sabores de pequenos-almoços parecidos com o tão típico “gosto salgado” português e bebemos café de máquina grátis servido em copos de plástico na empresa porque cá o café não custa €0,65, custa mais de € 2,00 e verdade se diga não presta: é um café azedo, sem sabor torrado, sem espuma e sem o trave que fica na boca durante meia-hora.</p>
<p>Não há bacalhau para milhares de pratos e gostos, confitado com batata em palha, tomate, azeite ou simplesmente frito na chapa, não há sardinha fresca de odor forte e suculentamente grelhada na brasa, não há enchidos de mil cores e texturas, adeus à morcela, ao chouriço assado no barro com bagaço ou aos rojões à moda do Minho, ao cozido à portuguesa, às tripas à moda do Porto ou francesinhas.</p>
<p>Temos que nos limitar à gastronomia local nem sempre fácil, picante, agridoce, por vezes insabor ou pagar gastronomia ocidental de segunda, vendida a preço de ouro e quase sempre pseudo-italiana ou pseudo-americana, mas nunca nossa.</p>
<p>Ser alguém é estar ligado a um país, a uma língua, a uma cultura.<br />
Por muito que vivamos fora do nosso país nunca nos vamos sentir tão nacionais como lá fora, nunca nos sentimos tão portugueses como a viver noutro país com os nossos desabafos &#8211; por vezes em palavras menos bonitas que ninguém à volta entende – na voz interna de poesia portuguesa que acompanha o nosso pensamento (isso ninguém nos tira), na nossa curiosidade em saber dos escândalos fúteis que passam nos noticiários do FB e acontecem lá ao longe no nosso rectângulo plantado a este do Atlântico, no nosso estilo frontal de reclamar quando nos passam nas filas do supermercado, no vinho do Porto que bebemos com outro portugueses perdidos pelo mundo, no nosso estilo cortês e educado de etiqueta, na nossa capacidade de nos adaptarmos a viver em qualquer lugar do mundo, resquício que jaz no nosso sangue transmitido pelos nossos antepassados de navegantes e descobridores, na nossa consciência saudosista, melancólica, fadista e nostálgica, no nosso jeito português de levar a vida descontraída e despreocupadamente, mesmo debaixo de incêndio ou tempestade. Somos portugueses, sempre seremos, passem cinco, dez ou vinte anos fora da nossa pérola atlântica e isso&#8230; nunca ninguém nos tirará!</p>
<p><strong><em>Rosendo Costa</em></strong><br />
<em>em Pequim, China</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/a-alma-da-cultura-rosendo-guimaraes-costa/">A Alma da Cultura &#8211; Rosendo Guimarães Costa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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