Opinião

Como é viver em Pequim com o corona vírus a espalhar-se pelo país e a entrar na cidade? (I)

Quando surgiu a notícia dos primeiros casos em Wuhan – capital da província de Hubei, no sul da China, não fiz caso assim como a maioria das pessoas.

Aliás viajei para fora da China na semana passada e ninguém andava de máscara do Aeroporto Beijing Capital nem com detectores térmicos ou a distribuir máscaras, parecendo tudo perfeitamente normal.

Mas, como tudo na China, as coisas mudam a um ritmo alucinante: dei por mim desde o início da semana a ver cada vez mais pessoas de máscara na rua, avisos sobre higiene e tipos de máscaras recomendadas, menos pessoas nos autocarros e shoppings. Não se deve só ao vírus, mas maioritamente à pior época possível em que poderia ter surgido – o Ano Novo Chinês.

É o ano do Rato e se o rato esteve no passado associado à estirpe da peste, este ano está associado ao corona vírus.

O Ano Novo Chinês é o maior fenómeno de movimento de massas que o mundo conhece: milhões de chineses regressam à terra natal para celebrar o Ano Novo com os familiares, ou os familiares se deslocam à terra onde os filhos trabalham e em alternativa viajam todos juntos pela China e pelo mundo.

Os números multiplicam-se todos os dias, estão a chegar a todas as províncias da China e nota-se pequenas mudanças na capital: transportes públicos mais vazios, shoppings mais vazios, toda a gente de máscara na rua, as pessoas evitam tocar-se mesmo que acidentalmente, vê-se pessoas a evitar abrir portas com as mãos ou evitar carregar nos botões de elevador – eu próprio a caminho do trabalho no autocarro, vi um velho a tossir e saí imediatamente do pé dele para me meter noutra ponta do autocarro, até porque ele não tinha máscara e evito andar em sítios onde haja muitos “ajuntamentos de massas”.

Comprei 10 máscaras da 3M para me proteger dos vírus e eram as poucas que restavam porque estão a esgotar rápido, havendo cada vez menos oferta e mais procura.

Rosendo Costa
Um vareiro na China

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