Sindicato diz que situação das urgências da Feira e de S. João da Madeira é crítica

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) disse hoje que a situação das urgências dos hospitais de Santa Maria da Feira e de São João da Madeira é “crítica” e está a colocar “doentes em risco”.
Em causa, refere o SMN, está a falta de recursos humanos e de planeamento no Hospital São Sebastião, sede da Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULS EDV), que gere também o Hospital de São João da Madeira, assim como os de Oliveira de Azeméis e Ovar – e aos quais se junta um serviço de Urgência também no Centro de Saúde de Arouca.
“No Hospital São Sebastião, perante a falta de profissionais na área amarela do Serviço de Urgência, está a ser determinada a reafetação de um médico da área laranja, desfalcando uma área destinada a doentes de maior gravidade para preencher outra. Não se pode resolver uma insuficiência numa área criando deliberadamente outra”, alertou o sindicato.
Na Urgência Básica de São João da Madeira, o problema é “a incapacidade de preencher as escalas”, o que levou a direção clínica a solicitar aos médicos internos disponibilidade para “trabalho suplementar durante agosto, antecipando a necessidade de reforço em setembro e outubro”.
Para a estrutura sindical, isso significa que, “perante a falta de médicos contratados, pretende-se que sejam os profissionais em formação da instituição, através de mais horas extraordinárias, a colmatar sucessivamente as falhas”.
O sindicato garante, contudo, que o que está a acontecer “não é um imprevisto – é falta de recursos humanos e de planeamento, transferida para os médicos e com consequências para a segurança dos doentes”.
Contactada pela Lusa, a administração da ULS EDV reconhece “os desafios que a gestão dos recursos médicos coloca, particularmente durante o período de verão, marcado por férias programadas dos profissionais”, mas garante que estão a ser “adotadas as medidas necessárias para assegurar a continuidade da resposta assistencial”.
A administração realça que, “apesar dos constrangimentos identificados na gestão das escalas, não houve encerramento de qualquer serviço de urgência, suspensão de atividade ou interrupção da resposta assistencial”.
“As diferentes áreas assistenciais mantiveram-se asseguradas, sendo a organização dos recursos realizada pelas estruturas clínicas em função das necessidades assistenciais e com a segurança dos doentes como prioridade”, acrescenta.
O sindicato exigiu “uma resposta imediata” do conselho de administração da ULS e do Ministério da Saúde, porque considera que é a essas entidades que cabe assegurar “medidas imediatas que garantam equipas completas, a segurança dos doentes e a formação dos médicos internos”.
“Quem decide retirar médicos de uma área crítica tem de assumir essa decisão. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem de garantir os recursos necessários: aos médicos compete tratar doentes, não encobrir nem mascarar falhas graves de gestão”, realçou.
Aconselhando os médicos que não pretendam realizar trabalho suplementar a “formalizarem a sua recusa através das respetivas minutas” e a deixarem assim documentada a decisão e o decisor que os levam a adotar tal medida, a estrutura sindical quer evitar que a falta de profissionais seja escondida “à custa da sobrecarga dos que permanecem”.
Da mesma forma, defendeu que a segurança clínica dos utentes não pode ser fragilizada “para fazer uma escala parecer completa”.
“Os médicos não podem continuar a funcionar como variável de ajustamento de escalas deficitárias, nem ser responsabilizados pelas consequências de decisões organizacionais que não controlam. A segurança dos doentes exige equipas adequadamente dimensionadas nos locais onde são necessárias”, concluiu o SMN.




