Opinião

Pontos de Vista e Prioridades – Sérgio Chaves

Muda o Governo e surge a necessidade de mexer ou remexer em muita coisa para se marcar a diferença e tentar provar que “agora é que vai ser”. Na minha manifestação de interesses começo por referir que o que não concordo no presente (isto é, feito por este Governo) não significa que concorde com o que foi feito anteriormente (pela agora oposição). Significa sim, que com toda a certeza há várias coisas positivas que foram feitas ao longo do tempo e estão a ser desfeitas (executivo atrás executivo) e outras que estão claramente mal e ninguém as desfaz!

Acabaram vários exames desde o 1º ciclo até lá mais à frente. Concordo, na medida em que julgo que aquilo que cada um sabe e aquilo que é, dificilmente é medido em tão pouco tempo e com tamanho peso.

Em nome do suposto interesse nacional, a “companhia de bandeira TAP” vai voltar a ser “nossa”. Nem sequer vou entrar pela questão da gestão ou da dificuldade em acreditar que o que não funcionou até hoje vai resultar de futuro, pergunto é se como português, ainda para mais habitante no Norte de Portugal e que viaja tanto e na TAP então não se fala: em que é que realmente o meu dia-a-dia ficou melhor desde essa decisão estratégica de reassumir o controlo da companhia?

Bois politicosA esta altura é legítima a pergunta: o que é que os exames, a escola e a TAP têm a ver uns com os outros?

Todos os dias, a toda a hora, comunicamos, mas desde o passado recente passámos a ter um acordo ortográfico. Antes da questão dos exames se colocar, talvez fosse mais relevante pensar na agressão mais forte do que a pressão dos exames, que é obrigar as crianças a aprender numa linguagem que não é a língua portuguesa, submeter os professores a essa obrigação e sujeitar os cidadãos ao mesmo na sua interacção com a administração pública. Preocupação tão grande com o Sr. Neelman e o Barraqueiro, do controlo da TAP passar para terras de Vera Cruz e temos aqui uma ameaça diária, real e que se aceitou como irreversível no vandalizar da língua portuguesa. Este acordo ortográfico consegue ainda colocar-nos virtualmente a um click do “apagão”, que é a ferramenta da pesquisa do Google e a sua tecla “Páginas de Portugal”, cujo desaparecimento iria enviar tudo o que é página em português de Portugal para um lugar demasiado longínquo.

Deus dá nozes a quem não tem dentes! Somos um país soberano e assassinamos a nossa língua, que é uma enorme fonte de riqueza, outros há, que anseiam pela soberania e agarram-se com unhas e dentes à afirmação sua língua enquanto expressão e diferenciação da sua cultura. Disso é exemplo a manta de retalhos do país vizinho…

Parolo não é o calão tripeiro ou o cantarolar algarvio, ou ter outra língua como mirandês. Parolo é renegar a tudo isso e ao português!

Sérgio Chaves
*O autor não aderiu ao acordo ortográfico

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