Disfunção erétil: o que os homens não falam e os médicos já tratam de outra forma
Em Portugal, estima-se que 459 mil homens sofram de disfunção erétil, segundo o estudo EPISEX-PT/Masculino da Associação Portuguesa de Andrologia. Desses, apenas entre 12 a 15 mil por ano procuram ajuda médica. É um desequilíbrio que os especialistas conhecem bem e que traduz um problema cultural tanto quanto clínico.
A condição afeta 17,6% dos homens com mais de 40 anos e 23,4% dos que têm mais de 50, de acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Andrologia. Acima dos 60 anos, um em cada quatro homens refere algum grau de disfunção erétil. A origem é frequentemente multifatorial: fatores vasculares, neurológicos, hormonais e psicológicos podem coexistir no mesmo paciente. Diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares estão entre as condições mais associadas, mas o tabaco, o sedentarismo e o stress crónico também contribuem de forma significativa.
O maior obstáculo ao tratamento continua a ser o silêncio. Muitos homens associam esta condição a uma falha pessoal e evitam consultar um médico. O resultado é que uma condição tratável é gerida, na maioria dos casos, sem qualquer acompanhamento profissional.
Os tratamentos disponíveis são hoje mais variados do que há duas décadas. A primeira linha inclui os inibidores da fosfodiesterase-5. Para quem tem contraindicações ou não responde à medicação oral, existem alternativas como fisioterapia pélvica e dispositivos físicos de suporte à ereção. A 5ª Consulta Internacional sobre Medicina Sexual, publicada pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, classifica os dispositivos de constrição como opção terapêutica eficaz e segura, recomendada inclusive em contextos de reabilitação pós-prostatectomia. Os anéis penianos com vibração representam uma evolução deste conceito, com estimulação adicional reconhecida como benéfica para a qualidade de vida sexual em casal.
A oferta de produtos de bem-estar íntimo cresceu em paralelo com esta mudança de paradigma na medicina. Desde um mini vibrador de uso pessoal até dispositivos com indicação terapêutica, o mercado reflete uma realidade clínica cada vez mais aceite: a saúde sexual é parte integrante do bem-estar geral, não um tema separado ou menor.
O passo mais difícil continua a ser o primeiro. Mas os especialistas são unânimes: quanto mais cedo a disfunção erétil for abordada com um profissional de saúde, maiores as possibilidades de tratamento eficaz.





