Com a chegada do frio, lareiras, salamandras e aquecedores voltam a fazer parte da rotina.
Antes de os ligar, importa verificar o seu estado e preparar a casa para uma utilização segura. Um alarme de incêndio complementa esses cuidados ao permitir detetar sinais de perigo e emitir um aviso.
Ao avaliar alarmes para casas, vale a pena considerar a deteção de fumo, além da proteção contra intrusões. A escolha deve ter em conta as divisões, os equipamentos de aquecimento e a forma como o alerta chega aos ocupantes e, quando existe ligação, à central de segurança.
Porque o inverno exige mais atenção aos incêndios domésticos
Segundo o Anuário de Segurança Contra Incêndio em Edifícios 2024, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, dezembro e janeiro foram os meses com mais incêndios urbanos em Portugal continental nesse ano. O documento identifica uma maior ocorrência no inverno, sobretudo nas regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo.
Nesta época, a utilização de fontes de calor aumenta e alguns aparelhos regressam ao
funcionamento após meses parados. Equipamentos degradados, falta de manutenção e materiais combustíveis demasiado próximos são situações a corrigir antes de começar a aquecer a casa.
Que fontes de risco devem ser revistas
Aquecimento e chaminés
Mantenha cortinas, mantas, roupa e mobiliário afastados das fontes de calor, respeitando as
distâncias indicadas pelo fabricante. Os aquecedores não devem servir para secar roupa
nem ficar em locais onde possam tombar. A ANEPC recomenda desligá-los ao deitar ou sair
de casa.
Nas lareiras e salamandras, a limpeza e a manutenção da chaminé ajudam a evitar a acumulação de resíduos combustíveis e problemas de evacuação dos fumos. Uma proteção adequada diante da lareira também ajuda a conter projeções de brasas.
Os equipamentos de combustão exigem ainda atenção ao monóxido de carbono e à ventilação. Não utilize braseiras a carvão nem aparelhos destinados ao exterior dentro de casa. Um detetor de fumo não substitui um detetor de monóxido de carbono: são dispositivos destinados a riscos diferentes.
Instalação elétrica e cozinha
Ligue os aquecedores elétricos diretamente a uma tomada adequada, evitando extensões e
blocos de tomadas. Cabos danificados, fichas deformadas ou tomadas que aquecem justificam interromper a utilização e pedir uma avaliação técnica.
Na cozinha, não deixe alimentos ao lume sem vigilância e mantenha panos, embalagens e
outros materiais combustíveis afastados do fogão. A existência de deteção não dispensa
estes cuidados.
Onde instalar os detetores de fumo
A localização de um sensor de fumo deve seguir as instruções do fabricante e a avaliação da habitação. Como orientação de cobertura, considere:
● Pelo menos um detetor por piso: sem assumir que um único equipamento chega para todas as divisões.
● Corredores e patamares de escadas: sobretudo nas zonas de circulação que dão
acesso aos quartos.
● Quartos e divisões com aquecimento: para que a deteção não dependa apenas de o fumo chegar ao corredor.
● Montagem no teto: respeitando as distâncias a paredes, cantos e saídas de ventilação previstas para o modelo.
O aviso deve ser percetível nos locais onde as pessoas dormem. Se alguém tiver dificuldades auditivas, convém avaliar soluções de sinalização adaptadas.
Onde evitar um detetor de fumo convencional
Na cozinha, os fumos da preparação dos alimentos podem provocar ativações indevidas.
Na garagem, poeiras e gases de escape também podem interferir com a deteção. Nestes espaços, deve ser avaliada uma solução adequada, como a deteção térmica, em vez de
deixar a área sem proteção.
Evite igualmente posições demasiado próximas de fontes de vapor. Se um detector de fumo dispara repetidamente, peça uma revisão da localização e do tipo de equipamento; retirar a alimentação não resolve a causa.
O que muda quando o aviso chega a uma central
Um aparelho autónomo que apenas emite som depende de alguém ouvir o alerta e agir. Já
um detetor de incêndio integrado num sistema monitorizado pode emitir um aviso local e
transmitir o evento à central de segurança.
O sinal pode, assim, ser recebido mesmo quando não está ninguém em casa ou os
ocupantes estão a dormir. A equipa verifica a ocorrência com os recursos disponíveis e
segue o protocolo previsto para o serviço.
Ao avaliar um sistema de alarme de incêndio, esclareça como é feita essa comunicação e
que procedimentos se seguem ao alerta. A monitorização complementa o aviso aos
ocupantes, mas não substitui a saída para um local seguro perante sinais de incêndio.
Como manter a deteção em funcionamento
A manutenção deve seguir o manual do equipamento e, num sistema monitorizado, as
indicações do prestador.
Testar o botão de teste
Utilize o botão de teste com a periodicidade recomendada, habitualmente mensal. Se o
dispositivo estiver ligado a uma central, combine previamente o procedimento para que o ensaio seja tratado como tal. Não use uma chama para testar o detetor.
Limpar a grelha
Remova o pó das aberturas conforme as instruções do fabricante, sem pintar, tapar ou
introduzir produtos na grelha. A sujidade pode interferir com a entrada de fumo.
Verificar a alimentação
Respeite os avisos de bateria e confirme como se faz a substituição. Nos modelos com
bateria selada, pode ser necessário substituir o equipamento completo. Verifique também a
data de substituição indicada pelo fabricante.
Checklist antes de ligar o aquecimento
Antes da primeira utilização da estação, confirme:
● A manutenção necessária dos aparelhos e das chaminés foi concluída
● Os cabos, as fichas e os restantes componentes não apresentam danos visíveis
● As fontes de calor têm espaço livre à volta e a ventilação está desobstruída
● Os detetores foram testados e os avisos de falha foram resolvidos
● As portas e os percursos de saída estão livres e a família sabe como sair em segurança
Se detetar uma anomalia, não utilize o equipamento até ser verificado. Resolver estas
questões antes dos dias frios permite integrar o alarme de incêndio numa rotina de prevenção, sem depender apenas do aviso quando algo acontece.





