Opinião
VI Capítulo da Confraria dos Rojões de Válega . Por Vitor Amaral

Realizou-se hoje o VI Capítulo da Confraria dos Rojões de Válega, reunindo mais de três dezenas de confrarias vindas dos mais diversos pontos do país e reunindo muito mais de uma centena de pessoas.
A cerimónia protocolar e de entronização realizou-se na Escola de Artes e Ofícios, uma das salas nobres do nosso município. Por isso, estando em Ovar, proporcionou-se mostrar a todos quantos nos visitaram, a história do nosso carnaval, com uma brilhante apresentação de Leandro Ribeiro.
Foi um excelente capítulo e, por isso, a direção da Confraria dos Rojões de Válega está de parabéns.
Apesar de ser um dia de festa, ou talvez por isso mesmo, deixo a minha reflexão sobre o movimento confrádico, que vem desde a idade média, tendo evoluído ao longo dos séculos para o que é na atualidade, de defesa dos valores culturais e gastronómicos.
Nos últimos 10, 20, 30 anos, as alterações sociais foram enormes; talvez mais do que durante as centenas de anos anteriores e, na minha modesta opinião, as confrarias, especialmente as gastronómicas, que são as que melhor conheço e as que mais existem no nosso país, não acompanharam essa evolução e não criaram dinâmicas para atrair jovens, de forma a garantir o futuro deste importante movimento.
Se as atuais gerações não agirem rapidamente, criando dinâmicas diferentes das atuais, deixando a vaidade, por exemplo, de ter capítulos com muita comida, começando manhã cedo e durando quase até ao final do dia, com custos elevados para a bolsa da maioria dos portugueses e especialmente dos jovens, corre-se o risco de sermos os coveiros do movimento confrádico. Alarmismo exagerado? Talvez, mas é a minha visão quando olho para as pessoas que estão presentes nos capítulos e vejo que a maioria tem mais de 50 anos e raros são os que têm menos de 30 anos.
As confrarias devem atrair para os seus eventos os jovens de outras associações culturais e recreativas; devem preocupar-se mais com a divulgação dos seus costumes e tradições do que comer em excesso e desperdiçar em demasia; devem proporcionar partilha entre os confrades das diversas confrarias, o que não é conseguido apenas com os joelhos debaixo da mesa, ou a picar à volta das mesas fartas de enchidos, fritos, doces, etc.; devem proporcionar debates, conferências, tertúlias sobre a história da gastronomia que defendem e preservam; devem proporcionar os mesmos debates, conferências, tertúlias com nutricionistas, endocrinologistas e outras especialidades médicas, sem qualquer receio; etc, etc.
Estou preocupado por entender que as confrarias fazem falta e, repito, por achar que podemos estar a contribuir para, em poucos anos, sermos os coveiros do movimento confrádico.

Vítor Amaral (Válega)




